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Mesa traz debate sobre cultura do estupro

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Iris Jesus
De 11 em 11 minutos, mais uma mulher é estuprada no Brasil. Para trazer para a Universidade o debate sobre o estupro, a Liga de Saúde Mental (LASM) promoveu o evento "Precisamos falar sobre a cultura do estupro!" na noite de terça (21). Com a participação do Núcleo de INvestigações FEminIstAS (NINFEIAS), suas coordenadoras, a professora Nina Caetano e a mestranda em Artes Cênicas, Thaiz Cantasini comandaram a mesa de conversa no Auditório do Bloco de Salas. 

A aluna Gabriela Luz, integrante da LASM, contou que esse evento é um projeto da Liga que visa trazer temas tabus para discussão na Universidade. Primeiro do projeto, a escolha se deu tanto pelos casos registrados nos últimos tempos, quanto a falta do debate em sala de aula. 

Com muitas mulheres presentes e também alguns homens, o debate começou com um vídeo reflexivo sobre a sexualização e objetificação do corpo da mulher na sociedade. Nina mostrou dados assustadores de estupros, em torno de 500 mil só no ano passado, os números mostram também que a maioria dos casos de estupros ocorre em ambiente domiciliar, envolvendo um parente, namorado ou amigo. "O estupro não acontece na maioria das vezes na rua, quando a mulher está sozinha, como muitos acham. Ocorrem em ambientes 'seguros' também. Esses dados destroem a ideia de culpa da vítima, atacada porque estava andando sozinha, com roupa curta ou bêbada", ressalta a professora Nina. 

Na mesma pesquisa que Nina apresenta, quando perguntado aos homens se eles já tinham estuprado uma mulher, praticamente nenhum fala que sim. Mas quando indagados se eles já pressionaram uma mulher a transar, o índice sobe consideravelmente. A representante do NINFEIAS explica que o estupro não é apenas pegar uma menina a força, mas é também forçar a companheira a manter relações quando ela não quer. A sociedade naturaliza essas atitudes, em que o homem pode fazer o que quiser e tem uma posição na sociedade para isso. 

Já Thaiz abordou as pequenas colaborações que a sociedade faz à cultura do estupro, uma vez que a omissão de um abuso, tanto de quem sofreu quanto de quem viu alguém sofrer, é contribuir para que isso continue ocorrendo. Em sua participação, ela faz muitas indagações para provocar o público a refletir sobre suas próprias atitudes. "O que leva pessoas a fazerem sexo? Tesão, atração, amor, consentimento? Estupro não tem nada ver com nenhuma dessas coisas, tem a ver com poder. O corpo da mulher é visto como um território que se coloniza. Temos que nos emponderar!", defende. 

Com a participação do público, o debate se desenrolou mostrando como o machismo está presente nas pequenas atitudes de quem nem tem consciência de que é machista. Com isso, as mulheres aprendem a serem submissas e os homens a terem poder. 

Nos 30 minutos em que escrevo esse texto, cerca de três mulheres foram estupradas. Nos minutos em que você, leitor, demorou para ler este texto, quantas outras foram violentadas?

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