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Professor da UFOP faz balanço sobre as amostras das pesquisas de opinião no período eleitoral

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No período eleitoral, os institutos de pesquisa de opinião elaboram estudos sobre a preferência do eleitorado. As análises, baseadas em metodologias científicas, tem o objetivo de proporcionar uma amostra da intenção de votos que costuma ter grande visibilidade na mídia. Entretanto, nas eleições para presidente deste ano, algumas pesquisas causaram polêmicas pela discrepância dos resultados das urnas além da margem de erro. Nesse contexto, o coordenador do Núcleo de Estudos Aplicados e Sociopolíticos Comparados (Neaspoc) da UFOP, professor Adriano Cerqueira, analisa e explica a importância desse trabalho.

As pesquisas de opinião ou Survey, como também são conhecidas, visam reduzir uma população de milhões de indivíduos para uma amostra significativa contada em centenas ou até milhares de pessoas. Segundo Cerqueira, é importante que o eleitor conheça o funcionamento dos estudos. “Para efeito de ilustração, vou falar de duas questões importantes que nos ajudam a entender como é feita essa redução: o intervalo de confiança e a margem de erro. Se eu quiser uma amostra de 100% de intervalo de confiança e 0% de margem de erro, vou ter que entrevistar todo mundo e isso será um censo. O problema é que o censo vai demorar quase um ano para ser finalizado, e as eleições acontecem em poucos meses. Sendo assim, os institutos fazem, normalmente, um intervalo de confiança de 95%, com a margem de erro de 2 pontos percentuais. Para o universo de 140 milhões de pessoas, que é o eleitorado atual, isso vai dar uma amostra de 2 mil pessoas”, explica.
  
 
  Confira o depoimento completo do professor Adriano Cerqueira no UFOP Conhecimento
 
Segundo o professor, as pesquisas são fundamentais para que a população consiga acompanhar a dinâmica eleitoral. “Senão ficaria todo mundo ao sabor opiniático, ao sabor de chutes. ‘Ah, o meu candidato está na frente com 80% dos votos, eu tenho certeza disso’. As pesquisas nos dão condições de ter uma melhor ideia do que está acontecendo”, afirma. Porém, os institutos também podem revelar problemas. Para o docente, no Brasil está havendo uma concentração, ao invés da multiplicação, de empresas que trabalham com pesquisas. “O ideal seria que mais institutos trabalhassem com pesquisas. Acho até que as universidades deveriam ter um papel mais ativo em executar pesquisas eleitorais”, ressalta.

Ao analisar especificamente o segundo turno das eleições para presidente, Cerqueira aponta os erros e os acertos das principais pesquisas. “Alguns institutos erraram bastante. A gente tem que tomar cuidado com isso porque no Brasil é comum institutos trabalharem para partidos e também para meios de comunicação. E, desse modo, não dá pra saber se aquela pesquisa que está sendo publicada pela mídia já foi utilizada pela campanha do partido A, B, C ou D. Isso gera um problema de credibilidade, pois, por mais que o instituto faça bem feito esse serviço, pode surgir certa dúvida em relação aos resultados apurados. E mesmo que ele acerte, fica uma desconfiança por parte dos agentes políticos, do mercado e também da população. Mas também houve institutos que praticamente cravaram o resultado final, como foi o caso do Datafolha, e outros que erraram, porém tiveram resultados aproximados dentro da margem de erro”, analisa. 

O professor aconselha que os eleitores pesquisem sobre os institutos antes de dar credibilidade às amostras. “A minha sugestão para quem acompanha as pesquisas eleitorais é ficar atento ao histórico dos institutos. Com a internet, é muito fácil fazer esses levantamentos. É só olhar os buscadores e colocar essas questões que fica fácil identificar os institutos que costumam acertar mais e que, quando erram, é um erro justificável. O problema são aqueles institutos que estão quase sempre errando e mesmo assim continuam aparecendo”, finaliza.