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Aula aberta sobre raça e gênero no mercado de trabalho tem vice-reitora como palestrante

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Anderson Medeiros
Auditório com cadeiras dispostas em semicírculo reúne estudantes e servidores durante palestra. Ao fundo, uma mulher fala ao microfone, sentada à mesa, com projeção na parede. Ambiente tem janelas com vidros coloridos e mezanino superior.
O Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (Icsa) da UFOP, por meio do Departamento de Administração (Decad), realizou a aula aberta "Questões de raça e gênero no mercado de trabalho", com a participação da vice-reitora da UFOP, Roberta Froes. A atividade, conduzida pela professora Deborah Kelly Nascimento Pessoa, integra a disciplina Trabalho e Sociedade, do 8º período do curso de Administração, e foi aberta ao público com o objetivo ampliar a discussão sobre como questões estruturais de raça e gênero influenciam as relações de trabalho no Brasil.
 
De acordo com a professora Deborah, a proposta da aula está alinhada com o compromisso de aproximar os debates acadêmicos da prática profissional. "Todo semestre, convido pessoas do mercado de trabalho, ex-alunos e profissionais de outras áreas para contribuir com um olhar prático, e, nessa disciplina, não tem como falar de trabalho sem discutir gênero, raça e tantos outros temas que atravessam essas relações", explicou. Ainda segundo ela, o convite para a vice-reitora participar deve-se a sua trajetória enquanto mulher negra e a sua atuação como gestora universitária. "A Roberta vem contribuir como mulher e, agora, como vice-reitora, enriquecendo o debate com sua vivência prática e teórica".
 
Durante a apresentação, Roberta compartilhou experiências pessoais e profissionais que ilustram os desafios enfrentados por mulheres negras no ambiente acadêmico e no mercado de trabalho. "É muito enriquecedor poder falar das minhas experiências, fazer os recortes de gênero e raça e mostrar que, apesar das barreiras, é possível obter êxito". Sobre as barreiras estruturais a serem enfrentadas, ela explicou: "O racismo e o machismo estruturam o mercado de trabalho. Enquanto não tivermos práticas antirracistas e antimachistas institucionalizadas, não conseguiremos construir uma sociedade menos desigual". 
 
A estudante Klenyele Ferreira, do curso de Administração, comentou o impacto da atividade em sua formação. "Esse tipo de aula me tira da bolha e me faz questionar o que estou fazendo para mudar essa realidade. Foi um momento muito importante para refletir sobre o meu papel como futura administradora."
 
Pérola Martins, que também é aluna do curso de Administração, compartilhou sua perspectiva enquanto mulher negra. "A fala da Roberta foi muito inspiradora. Ela representa força, confiança e conhecimento. É diferente ouvir isso de alguém que vive o que fala, que nos representa. Isso fortalece nossa caminhada", afirmou. 
 
A assistente social e ex-aluna da UFOP, Aline Egídio, também participou do encontro e reforçou a importância de debater esses temas na Universidade: "Vivemos em uma sociedade racista e patriarcal. Discutir essas questões ainda na formação é essencial, porque elas moldam as desigualdades que enfrentamos no mercado de trabalho." 

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