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De TCC a obra cinematográfica: curta "Tudo Que é Sólido Desmancha no Ar" inicia filmagens em Mariana

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Arquivo pessoal
Duas pessoas observam atentamente o visor de uma câmera de cinema digital; uma segura o equipamento, enquanto a outra se inclina para ver o enquadramento. Atrás deles, parede com desenhos, rabiscos e escrita vermelha em japonês. Luz natural suave.
Os estudantes do curso de Jornalismo da UFOP, Anthony Christian e Laura Borges, iniciaram as gravações do curta-metragem ficcional "Tudo Que é Sólido Desmancha no Ar". Produzido pela Miratú Filmes, produtora independente sediada em Mariana, o filme se sustenta na crítica às políticas neoliberais contemporâneas e aos impactos socioambientais da exploração dos recursos naturais, tendo a região de Mariana e seus distritos como cenário. 
 
A narrativa acompanha Carlos, um jovem trabalhador da mineração no distrito ficcional de Antônio Borba, que transforma observação em denúncia ao registrar com sua filmadora a realidade de um território marcado pela privatização do ar respirável.
 
O projeto, fruto do trabalho de conclusão de curso dos autores, foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo e marca os dez anos do rompimento da barragem de Bento Rodrigues, um dos maiores desastres socioambientais da história do país. 
 
A proposta é refletir sobre as consequências, humanas e ecológicas, desse acontecimento, ainda presentes na região, por meio da pesquisa acadêmica e da experimentação audiovisual. Laura e Anthony reconhecem a importância da lei de incentivo, que viabilizou recursos para uma produção audiovisual. "Poderíamos ter feito um filme totalmente independente, sem nenhum suporte, mas o cinema exige tempo, trabalho, pesquisa e muitas pessoas envolvidas. Estamos muito felizes por tudo ter se alinhado, permitindo a realização de um produto cultural e acadêmico de qualidade, viabilizado por esse incentivo".
 
Segundo os diretores, a inspiração veio da própria privatização da água em Ouro Preto, um município que, historicamente, tinha o costume de não pagar por esse bem natural. "Quando a população se viu obrigada a pagar contas abusivas após a privatização do serviço para uma empresa estrangeira, isso gerou revolta popular. Essa é nossa realidade dentro do capitalismo; então, esse título reverbera que as estruturas da nossa sociedade, onde o lucro está acima da vida, normalizam uma atividade econômica predatória que define Minas Gerais."

filmin.png

Arquivo pessoal
Homem em pé diante de parede alaranjada desgastada, com pichações - uma delas desenha uma arma e outra traz palavras em branco. Ele usa máscara azul, camiseta branca e calça verde amarrada na cintura, segurando uma sacola plástica sob luz intensa do sol.
A protagonista Kaio Serafim em uma das cenas do filme


Na construção da base narrativa do curta, a percepção de uma falta de mobilização da juventude atingida pela mineração levou os diretores a colaborarem diretamente com artistas da cena local, valendo-se desse hibridismo como o "grito" que faltava. Assim, a trilha sonora original, é assinada por Aquiles, o Poeta e pelo beatmaker Lil Tim, que sintetizam a narrativa em uma faixa de boombap autoral, traduzindo em Rap as agendas do filme; e o artista urbano Bruno Miné serve de inspiração para o projeto, se tornando personagem do filme.
 
A equipe conta ainda com Uriel Marques (direção de fotografia), Carla Maves (direção de arte) e Luan Carlos (direção de som). O ator Kaio Serafim interpreta o protagonista.
 
Acompanhe o processo de produção e os bastidores pelo perfil do filme.

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