A turma 22.2 do curso de Museologia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) promove neste semestre (25.2) a exposição curricular "Santo Amaro de Botafogo: Memória, Fé e Resistência", orientada pela professora Ranielle Menezes de Figueiredo.
Conforme apresentado no projeto museográfico, a mostra aborda a trajetória da comunidade de Botafogo, situada na região de Ouro Preto, e destaca sua relação histórica e contemporânea com a mineração, atividade que tem impactado diretamente o território.
A comunidade de Botafogo fica localizada a cerca de sete quilômetros do centro de Ouro Preto. Seu surgimento remonta ao final do século XVII, impulsionado pela descoberta de ouro no Rio das Velhas, no ano de 1693. O caminho onde hoje se encontra a localidade era, à época, uma importante rota que conectava o Palácio dos Governadores, na sede de Ouro Preto, ao distrito de Cachoeira do Campo, marcando sua relevância histórica.
A mineração tem sido pauta em Botafogo desde 2022, ganhando maior visibilidade em 2025 com a destruição de uma gruta da região, fato que mobilizou moradores da comunidade na luta pela proteção e preservação do espaço, que abriga uma das capelas mais antigas do estado, considerada patrimônio histórico e religioso do distrito.
Desenvolvida pelos estudantes de Museologia, a exposição é voltada especialmente para os moradores de Ouro Preto, com ênfase na própria comunidade de Botafogo, buscando valorizar e envolver a população diretamente afetada pelas questões abordadas.
A iniciativa propõe uma reflexão sobre o território de Santo Amaro de Botafogo a partir de três eixos centrais, memória, fé e resistência, entendidos como dimensões fundamentais da construção identitária da comunidade. Por meio de objetos, registros visuais, narrativas e recursos expográficos, o percurso expositivo evidencia a relação entre patrimônio cultural, vivências cotidianas e processos históricos de permanência e transformação.
Panacea Betini, uma das 14 estudantes que participaram da realização do projeto, relatou que a seleção do tema se deu por se tratar de uma pauta recente, com o objetivo de dar voz à comunidade. "Apesar de Botafogo ser um lugar muito rico, poucas pessoas conhecem ou estão em contato com essa luta, então a gente queria realmente contribuir para que a comunidade tivesse mais apoio e visibilidade", completou.
Já Ranielle Menezes, professora responsável, destacou que a exposição reafirma o compromisso do curso de Museologia da UFOP com uma formação sensível às dimensões sociais do patrimônio, valorizando as práticas participativas, o respeito às narrativas comunitárias e o entendimento do espaço museal como lugar de escuta, mediação e construção coletiva de sentidos. "Desenvolvida de forma coletiva, a proposta envolveu os estudantes em todas as etapas do projeto expositivo, desde a definição conceitual e curatorial até o detalhamento técnico da museografia, incluindo planejamento espacial, escolha de materiais, linguagem visual, cores, iluminação e estratégias de comunicação. O trabalho reforça a exposição como um dispositivo de comunicação museológica, capaz de provocar reflexões críticas e ampliar o diálogo entre universidade, território e sociedade", concluiu a professora.
A mostra acontece na sala de exposições do prédio de Direito, Turismo e Museologia (EDTM), localizado no campus Morro do Cruzeiro, na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). A inauguração será no dia 6 de fevereiro, a partir das 18h.