O programa busca promover a colaboração científica entre universidades brasileiras e instituições estrangeiras por meio da formação de redes. Cada rede deve reunir de quatro a seis instituições, sendo uma coordenadora e as demais associadas, organizadas em torno de temas estratégicos.
Ao todo, 54 propostas foram submetidas, das quais 23 foram selecionadas e ranqueadas por nota, com foco no fortalecimento da internacionalização das instituições brasileiras de ensino superior. A UFOP aparece entre as instituições mais bem avaliadas do país como coordenadora de uma proposta em rede.
Para a pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, Paula Mendonça, a posição representa um marco para a Universidade. "Estar em 5° lugar mostra que o projeto foi bem construído e articulado, evidencia o crescimento que a pós-graduação e as relações internacionais têm apresentado ao longo do tempo. É muito significativo."
A proposta apresentada pela UFOP tem como título "MineraMundi: Rede Internacional de Investigação da Mineração, Sustentabilidade e Desenvolvimento Social", envolvendo duas linhas de investigação:
- mineração circular, exploração geológica e processamento mineral e metalúrgico sustentável, processos produtivos inteligentes, usos e aplicações de materiais e aproveitamento de resíduos de produtos e subprodutos;
– mineração, saúde, sociedade e educação, desafios contemporâneos, estratégias sustentáveis e aplicações para o futuro.
Segundo a pró-reitora, esse é um tema que agrega pesquisas de ponta e interdisciplinares e que articula Programas de Pós-Graduação (PPGs) de várias instituições. "São pesquisas que terão impacto para formação, para redução de assimetrias, para formação de pessoas de alto nível, envolvendo a internacionalização e um crescimento da Universidade no que tange a assuntos de internacionalização", afirma.
Entre os impactos previstos, Paula destaca o fortalecimento das ações de idiomas nas universidades que integram a rede. A proposta prevê que instituições com políticas linguísticas já consolidadas possam cooperar com aquelas que ainda estão em processo de estruturação. "Quando o estudante sabe que existe a possibilidade de participar de um congresso ou de um evento, ele passa a se preparar melhor, isso dá um estímulo a mais para a questão dos idiomas e, ao mesmo tempo, fortalece também as ações das universidades que já trabalham com isso", observa.
O projeto reúne instituições de diferentes regiões do país, sendo uma iniciativa coletiva, capitaneada pela Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (Proppi) e pela Diretoria de Relações Internacionais (DRI), tanto da UFOP quanto das instituições associadas. Além da UFOP, integram a rede a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e Universidade Federal do Tocantins (UFT).
INTERNACIONALIZAÇÃO - De acordo com o diretor da DRI, Anderson Gamarano, o projeto foi submetido ao edital com teto máximo de R$ 26 milhões, considerando o porte da rede. Entre os recursos previstos estão bolsa de doutorado sanduíche, ou seja, quando o estudante de pós realiza parte de seu trabalho em uma universidade no exterior, bolsas para professores visitantes estrangeiros, além de missões e capacitações para equipes de relações internacionais e para docentes vinculados aos programas de pós-graduação participantes. Esses recursos serão distribuídos conforme o número de PPGs envolvidos em cada instituição da rede. "Essas ações permitem que cada instituição replique internamente os conhecimentos, as práticas e as articulações construídas ao longo do projeto, fortalecendo toda a rede", ressalta Anderson.
Ele aponta ainda que o projeto conta com apoio complementar das Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs). No caso da UFOP, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) vai suplementar, anualmente, 8% do valor total, viabilizando recursos que não estavam previstos no edital, como bolsas de mestrado sanduíche, apoio à mobilidade nacional, realização de eventos científicos e suporte ao comitê gestor da rede.
Para Anderson, o resultado consolida o trabalho conjunto desenvolvido pela Universidade na área de internacionalização. "Hoje é impossível falar de pós-graduação sem falar de internacionalização. Essa atuação integrada com a Proppi já existe há algum tempo e vem se aprimorando ao longo dos anos", afirma, complementando que, apesar de a mineração aparecer em destaque no nome do projeto, a proposta tem caráter amplo e interdisciplinar. "Não é um projeto exclusivo da engenharia mineral, mas uma iniciativa que dialoga com múltiplos campos e integra diferentes áreas, passando pelas engenharias, ciências humanas, sociais e biológicas", finaliza.
As atividades devem ter início ainda em 2026, com duração prevista até 2031.