Criado por Karla Rezende em sex, 06/03/2026 - 16:09 | Editado por Lígia Souza há 9 horas.
Em algum momento, mesmo que apenas por um instante, uma mulher poderia ter ocupado essa cadeira. Poderia ter sido sua mãe ou irmã, mas também a colega de sala com quem você fez um trabalho, a professora que te inspirou a seguir uma profissão, a pesquisadora que orientou seus primeiros passos na ciência.
Diante do atual cenário, em que o país alcançou a taxa recorde de feminicídios, com quatro mulheres assassinadas por dia em 2025, tendo Minas Gerais em 2º lugar, com 139 registros de vítimas, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, é necessário refletirmos: qual a causa dessa ausência?
Ao contrário do que indicaria esse vazio como um “acaso””, os dados escancaram um cenário muito concreto, palpável e persistente. Foram 3,7 milhões de brasileiras vítimas de alguma forma de violência de gênero neste mesmo ano, segundo pesquisa do DataSenado.
Encarar esses lugares vazios é inquietante para os olhos que não mais veem e os ouvidos que não mais ouvem as presenças que um dia tentaram estar ali. Mesmo com o silenciamento dessas vozes, a memória segue gritante, pois vai sempre nos lembrar do motivo de não mais existirem.
Assim como sugerem as jornalistas Niara de Oliveira e Vanessa Rodrigues, no título de seu livro “Histórias de morte matada contadas feito morte morrida”, no qual elas analisam como o feminicídio é noticiado nos jornais, vemos que as mulheres não se retiraram dos lugares, mas são retiradas.
São muitas as formas de aniquilação das mulheres: dupla jornada sem rede de apoio; misoginia que inferioriza e impede a participação das mulheres em variadas instâncias; machismo que instaura perspectivas de posse e dominação; agressão física; feminicídio.
É urgente nos posicionarmos na linha de frente de proteção das mulheres e meninas para, minimamente, permitir que elas continuem presentes nos espaços e que possam decidir — por si — se permanecem ou não. Este papel deve ser assumido, principalmente, pelos homens, considerando que 90% dos casos de feminicídio são cometidos por homens que têm ou tiveram vínculo afetivo com a vítima.
Precisamos enxergar o visível na ausência para compreender o cenário lastimável que se materializa e que precisa, urgentemente, de profundas mudanças.
COMBATENDO O FEMINICÍDIO - A UFOP, em conjunto com outras instâncias, assume o compromisso com o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio, que nasce da união dos Três Poderes em prol da prevenção e luta contra a violência de gênero. Saiba mais.
Na segunda-feira (9), cada campus da UFOP vai instalar um Banco Vermelho, símbolo da luta contra o feminicídio que tem como objetivo conscientizar, prevenir e reforçar o enfrentamento a todas as formas de violência contra mulheres.
COMO DENUNCIAR - As denúncias de violência contra a mulher podem ser feitas pela Central de Atendimento à Mulher, por meio do número 180. No âmbito da UFOP, existe a Ouvidoria Feminina, canal criado para recebimento de casos de violência de gênero. A denúncia é feito pelo portal Fala.BR e pode ser anônima.



Ouvidoria




