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III Seminário da Rede Linhas debate “catástrofes cotidianas” e resistência social

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Maria Eduarda de Lima
Pesquisadores, estudantes e integrantes de grupos de pesquisa de universidades federais mineiras participaram, entre 6 e 8 de maio, o III Seminário da Rede Linhas: Limites e Potências do Atordoamento nas Catástrofes Cotidianas, realizado na Hemeroteca do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (Icsa) da Universidade Federal de Ouro Preto.
 
O evento reuniu pesquisadores da Rede Mineira de Historicidade e Narrativa – Linhas, formada pelos grupos Cultura Fotográfica (UFOP), Narra - Narrativa, Cultura e Temporalidade (Ufu) e Tramas Comunicacionais - Narrativa e Experiência (UFMG). A programação contou com mesas de debate, apresentações de pesquisas, seminários de iniciação científica e discussões metodológicas sobre comunicação, imagem, violência, memória, gênero, política e territórios atingidos por diferentes formas de vulnerabilidade social.
 
A proposta do seminário foi discutir as chamadas “catástrofes cotidianas”. Durante o encontro, os organizadores destacaram que o projeto busca compreender como esses processos afetam diferentes grupos sociais e de que forma também geram resistência, criatividade e novas formas de ação coletiva.
 
O professor Flávio Valle, da UFOP, chamou atenção para os impactos sociais e urbanos presentes no cotidiano de cidades mineradas como Mariana. Durante sua apresentação, ele relacionou questões como moradia, turismo, desigualdade e mineração, destacando que o processo de patrimonialização da cidade também contribui para o esvaziamento residencial do centro histórico e para o aumento do custo de vida da população local. O professor também relembrou os impactos do rompimento da barragem de Fundão, em 2015, e as consequências permanentes deixadas pelo desastre-crime na região.
 
Além das discussões sobre Mariana e Brumadinho, o seminário abordou temas como cultura visual, violência doméstica, colonialidade, religiosidade, mobilidade urbana, disputas digitais, deepfakes, gênero, audiovisual, música e experiências sociais em territórios marcados por vulnerabilidades e conflitos sociais. As apresentações também discutiram representações periféricas na música e na moda, narrativas sobre luta pela terra, experiências LGBTQIAPN+, violência política de gênero e os impactos das mídias digitais na sociedade contemporânea.
 
O seminário integrou as ações do projeto “Catástrofes Cotidianas 2: Potências do Atordoamento”, apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
 
A comissão organizadora foi composta pelos professores Flávio Valle (UFOP), Bruno Leal (UFMG), João Damásio , Nicoli Tassis e Nuno Manna, todos da Ufu. O evento também contou com a participação dos pesquisadores Itania Gomes (UFBA) e Evandro Medeiros, da UFOP, responsáveis pelas provocações e debates ao longo da programação.

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