Após um ano da
visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Mariana para anunciar ações do Programa Especial de Saúde do Rio Doce e apresentar medidas previstas na repactuação do acordo de reparação, o município recebeu novos anúncios que marcam o avanço da execução dos compromissos assumidos pelo Governo Federal para a região.
Durante agenda realizada nesta quinta (11), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou da assinatura dos atos que garantem a liberação da primeira parcela dos recursos para a construção do Hospital Universitário (HU) da Universidade Federal de Ouro Preto, em Mariana. O evento também incluiu a entrega de veículos para os Conselhos Municipais de Saúde, ambulâncias, vans para transporte de pacientes e novos repasses destinados aos municípios atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão.
A construção do Hospital Universário, que será gerido pela HU Brasil, contará com recursos de R$ 284 milhões, com origem no Acordo do Rio Doce, repassados pelo Fundo Rio Doce ao Ministério da Saúde. O prédio ocupará uma área de 33 mil m² e funcionará em um terreno doado pela Prefeitura de Mariana.
DESENVOLVIMENTO REGIONAL - O reitor da UFOP, Luciano Campos da Silva, destacou a importância do momento para a universidade e para toda a região. “A universidade se sente imensamente orgulhosa e satisfeita de estar nessa parceria com os ministérios e com a prefeitura para entregar à comunidade da região esse grande patrimônio, que será o Hospital Universitário”. Segundo Luciano, além de qualificar ainda mais a formação dos estudantes da área da saúde, o hospital contribuirá para o desenvolvimento regional e para a ampliação do acesso da população a serviços especializados.
Durante a cerimônia, Padilha ressaltou que os investimentos representam uma resposta concreta às demandas históricas da população atingida pela tragédia do Rio Doce e fazem parte do processo de reparação conduzido pelo Governo Federal. O ministro também destacou a importância do hospital dentro da estratégia de fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) na região. A futura unidade contará com 225 leitos, UTIs adulto, pediátrica e neonatal, centro cirúrgico, serviços de diagnóstico e atendimento em diversas especialidades de alta complexidade.
Para o prefeito de Mariana, Juliano Duarte, a construção do hospital representa um legado permanente para o município e para as futuras gerações. “Mariana precisava ter um legado, alguma coisa que fosse ficar para as futuras gerações. O Hospital Universitário vai salvar vidas, vai trazer desenvolvimento e vai mudar a macrorregião de saúde do estado de Minas Gerais". Juliano lembrou ainda a articulação conjunta entre Prefeitura, UFOP e Governo Federal para viabilizar o projeto. Segundo ele, embora o hospital seja construído em Mariana, o atendimento beneficiará toda a região dos Inconfidentes e municípios vizinhos.
ATINGIDOS - A agenda também foi marcada pela participação de representantes das comunidades atingidas pelo desastre. Representando os povos e comunidades tradicionais quilombolas, Daiane Cristina de Paula Estanislau destacou a expectativa de que os investimentos cheguem efetivamente aos territórios rurais. “A minha esperança é que a gente consiga melhorar muito a saúde dos nossos municípios e que tudo isso que está vindo possa chegar realmente às pessoas que precisam do transporte, do atendimento e da celeridade de uma ambulância.”
Além dos recursos para o Hospital Universitário, o evento marcou o repasse de mais uma parcela dos recursos da repactuação do Rio Doce para os municípios atingidos, bem como a entrega de equipamentos destinados ao fortalecimento do controle social na saúde. Os anúncios reforçam o conjunto de ações iniciado em junho de 2025, quando o presidente Lula esteve em Mariana para apresentar o plano de investimentos federais na saúde da Bacia do Rio Doce.
Com a liberação dos recursos para o HU, a expectativa é que o projeto arquitetônico seja concluído ainda neste ano, permitindo o avanço para as etapas de licitação e do início das obras. Para a UFOP, o empreendimento representa um marco histórico na expansão da universidade e na consolidação de sua atuação nas áreas de ensino, pesquisa, extensão e assistência à saúde.