A estudante Nayara Almeida Silva, do curso de Engenharia Geológica da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), conquistou o primeiro lugar na categoria Geofísica do Programa Desenvolver 2026, promovido pela Vale. A cerimônia de premiação foi realizada em Belo Horizonte e reuniu participantes da edição, que teve cerca de 1.500 inscritos.
O projeto desenvolvido por Nayara foi elaborado individualmente e propôs um fluxo para validação, processamento, integração e interpretação de diferentes tipos de dados geológicos e geofísicos de um depósito de minério de ferro. O trabalho também contemplou a construção de um modelo tridimensional de contraste de densidade. “Foi um momento muito emocionante e, ao mesmo tempo, surpreendente. Embora eu soubesse que tinha me dedicado bastante e entregado um bom trabalho, não imaginava conquistar o primeiro lugar logo no meu primeiro desafio dessa dimensão”, conta Nayara.
A estudante chegou à etapa final após desenvolver a proposta a partir das bases de dados disponibilizadas pela Vale. Segundo ela, uma das primeiras preocupações foi verificar se os dados estavam completos, padronizados e espacialmente compatíveis antes de iniciar a interpretação.
FLUXO DO PROJETO - Na prática, Nayara organizou e auditou bases de sondagem, litologia, perfilagem e aerogeofísica. Durante esse processo, identificou inconsistências, corrigiu a reconstrução das trajetórias dos furos, padronizou o sistema de coordenadas e preparou os dados para as etapas seguintes. Também realizou análises estatísticas e petrofísicas, gerou mapas, interpretou produtos geofísicos e integrou os resultados ao modelo geológico.
Durante a auditoria das bases de sondagem, a estudante também encontrou problemas como ausência da estação inicial em alguns registros, alertas relacionados às trajetórias dos furos e um furo sem correspondência adequada entre as tabelas. Para lidar com essas questões, desenvolveu rotinas de verificação em softwares empregados no processamento e na geração dos mapas geofísicos.
A qualidade dos dados de entrada foi um dos pontos centrais do trabalho. Na exploração mineral, informações inconsistentes podem comprometer interpretações e modelos de subsuperfície e, consequentemente, influenciar decisões relacionadas à continuidade das sondagens, à priorização de áreas e à atualização dos modelos geológicos.
“A solução contribui ao estabelecer uma etapa de controle de qualidade antes da interpretação e da modelagem. Dessa forma, reduz o risco de que inconsistências sejam propagadas ao longo do projeto”, explica Nayara. O fluxo desenvolvido também pode ser executado novamente à medida que novos dados sejam incorporados, utilizando os mesmos critérios de análise. A possibilidade favorece a atualização dos modelos e torna o processo mais rastreável e padronizado.
FORMAÇÃO E PRÓXIMOS PASSOS - A formação em Geologia teve papel importante na interpretação dos resultados. Conhecimentos de Geologia Estrutural, Mineralogia, Petrologia, depósitos minerais, mapeamento e geoprocessamento foram utilizados para relacionar os dados geofísicos às características do depósito.
Para Nayara, a graduação também foi fundamental para avaliar os resultados dos algoritmos e da inversão geofísica de maneira crítica. “Procurei tratar os modelos computacionais como ferramentas de apoio e não como respostas geológicas definitivas”, afirma.
A experiência no Desenvolver ampliou o interesse da estudante pela integração entre Geologia, Geofísica e análise de dados. Entre os próximos projetos, ela está iniciando um estudo sobre recursos não convencionais na Formação Pendência, na Bacia Potiguar, com foco em geomecânica. Também avalia desenvolver o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre monitoramento microssísmico aplicado à mineração.
Como premiação pelo primeiro lugar na categoria Geofísica, Nayara recebeu bens no valor de R$ 5 mil. Além do reconhecimento, ela destaca o contato com especialistas, a aproximação com a realidade da mineração e as conexões construídas durante o programa.
A estudante também foi a única mulher entre os vencedores do primeiro lugar nas diferentes categorias da edição. Para ela, a conquista reforça a importância da presença feminina nas áreas de Geologia, Geofísica, tecnologia e mineração. “Vejo essa conquista não como um ponto de chegada, mas como um incentivo para buscar novas oportunidades e continuar construindo minha trajetória na Geofísica e na mineração”, conclui.