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Mulheres no mercado de trabalho e ambiente acadêmico é discutido na Secom

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Equipe Secom

Desigualdade de gênero, assédio, luta e resistência: estes foram alguns do temas tratados na mesa  "Mulheres na Comunicação”, que faz parte da programação da VII Semana de Estudos em Comunicação (Secom). O diálogo ocorreu nesta quinta-feira (17) e contou com a presença das professoras do curso de Jornalismo Dayane Barreto, Denise Prado, Hila Rodrigues, Karina Gomes, Michele Tavares e foi mediado pela professora Marta Maia. 

Marta falou sobre a importância do debate e lembrou que, embora as mulheres sejam a maioria nas redações, ainda são minoria nos cargos de chefia. As participantes compartilharam na mesa vivências pessoais, das dificuldades femininas na comunicação enfrentadas no mercado de trabalho à atuação como pesquisadoras. 

Karina leu um relato testemunhal, em que relatou situações que vão da objetificação feminina — onde uma repórter foi “objeto de aposta” por parte de colegas de redação, em que disputavam quem a conquistaria primeiro —, ao assédio por parte do editor, além de ser constrangida por um político de Brasília. 

A professora Hila Rodrigues falou sobre as mulheres jornalistas nos espaços de resistência. Hila citou dados de um relatório da ONG Repórteres Sem Fronteiras, que mostra que uma das maiores dificuldades enfrentadas por profissionais, sobretudo as jornalistas, é investigar qualquer assunto que tenha relação com a condição da mulher nos países onde vivem. De acordo com o relatório, produzido a partir de dados de aproximadamente 20 países entre 2012 e 2017, foram registrados 90 casos de violação de direitos de jornalistas que investigam casos ligados à temática, 11 mortes, 12 prisões e pelo menos 25 ataques aos profissionais. A maioria dos ataques é proferida por três grupos: facções criminosas, religiosas e governos autoritários. “Muitos desistem das investigações para protegerem ‘os seus’, e o silenciamento por sermos mulheres é muito grande”, ressaltou Hila. 

AMBIENTE ACADÊMICO - Além de relatar as pressões e assédio que sofreu por ser mulher quando trabalhava como assessora de comunicação em um meio político, Michele Tavares falou sobre a falta de visibilidade feminina dentro da academia. A professora recordou a dificuldade de encontrar um professor que se interessasse por seu Trabalho de Conclusão de Curso, que se referia à  representação da mulher moderna na Revista Cláudia. “O tema não é relevante, ninguém quer falar sobre isso”, teria ouvido de um professor na ocasião. 

Dayane Barreto falou sobre a mulher como pesquisadora. Ela lembrou que, quando ingressou no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFOP, a turma era composta por 11 mulheres e um homem, e levantou uma pesquisa da Capes que afirma que as mulheres são maioria no mestrado e doutorado. “Quantas mulheres têm na nossa bibliografia de pesquisa? Ainda lemos os mesmos figurões homens brancos”, declarou Dayane.  De acordo com ela, “a Ciência, como o Jornalismo, precisa de um olhar mais feminino e feminista”. 

A professora Denise suscitou um questionamento sobre “por quê a representação importa”. De acordo com ela, por dois motivos: por participar da constituição dos princípios dos grupos e por guiar nossas formas de relação e interação com o mundo. “Com isso, as representações acabam por criar uma visão mais ou menos consensual da realidade dos grupos, criam nosso lugar e posicionamentos sociais.” 

SECOM - Promovida pelo Centro Acadêmico de Comunicação Social - Jornalismo (Cacom) — gestão Foca —, com o apoio do Icsa e da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), a Secom é um evento de natureza acadêmica, científica e cultural, com periodicidade anual, aberto a toda comunidade universitária e marianense.

A Secom continua até esta sexta-feira. Confira a programação.

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