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Fórum de Estágio de Serviço Social debate impactos da mineração

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João Henrique Ribeiro
Em um auditório, público acompanha mesa de debate com representantes acadêmicos, lideranças comunitárias e movimentos.
Realizada no Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (Icsa), a edição 2025 do Fórum de Supervisão de Estágio do curso de Serviço Social da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) teve como tema central "Estágio, trabalho profissional e território: impactos da mineração após 10 anos do rompimento da barragem de Fundão". O encontro, que contou com a participação de diversos atores das comunidades acadêmica e externa, dialogou com a campanha nacional elaborada pelo Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e pelos Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS) para este ano, tendo como base as especificidades da Região dos Inconfidentes.
 
Construído de forma coletiva pela Comissão Organizadora de Estágio (COE), que é composta por representantes da coordenação de estágio, coordenação de curso, supervisão acadêmica e de campo, estagiários, docentes e assistentes sociais, o Fórum é um espaço anual que visa promover o diálogo entre formação acadêmica e prática profissional, por meio da troca de experiências, da reflexão crítica e da escuta de múltiplas vozes. 
 
Na mesa de abertura, estiveram presentes o diretor do Icsa, Harrison Ceribelli; a coordenadora de Estágio em Serviço Social, Adriana Mesquita; a chefe do Departamento de Serviço Social, Virgínia Carrara;  a coordenadora da Pós-Graduação em Serviço Social, Alessandra Ribeiro; o coordenador do curso, Rodrigo Ribeiro; a representante do Centro Acadêmico, Isabela Werneck; e o representante do Núcleo de Assistentes Sociais Inconfidentes, Wesley Rodrigues. De modo geral, as falas que marcaram o início dos trabalhos trouxeram reflexões sobre a relevância do evento como espaço formativo e sobre os vínculos que se constroem entre Universidade, estudantes, profissionais e população.
 
Em seguida, foi realizada a mesa de debate sobre a temática central do encontro, mediada pelo professor Rodrigo Ribeiro. A atividade contou com a presença de Anália Tuxá, cacique do Povo Tuxá Setsô Bragagá de Minas Gerais; Kathiuça Bertollo e Verônica Medeiros Alagoano, docentes do curso de Serviço Social; Ângela Aparecida Lino Sant’Ana, moradora da comunidade de Ponte do Gama e integrante da Comissão de Atingidos pela Barragem de Fundão; Ana Carla Cota, atingida pela Barragem do Doutor; e Thatiele Monic Estevão, presidente da Associação Quilombola Vila Santa Efigênia e Adjacências. Entre o público ouvinte, a pró-reitora adjunta de Assuntos Comunitários e Estudantis (Prace) Ísis Silva Roza também marcou presença.
 
As falas evidenciaram as múltiplas dimensões dos desafios enfrentados por diferentes coletivos bem como por assistentes sociais que atuam nesses contextos. A liderança indígena Anália Tuxá destacou o papel central das mulheres nos processos de resistência diante de estruturas históricas marcadas por desigualdades de gênero e raça. Já Thatiele reforçou a importância do mapeamento de povos e comunidades tradicionais como instrumento fundamental para o reconhecimento das especificidades territoriais, contribuindo para práticas profissionais mais sensíveis e situadas, algo que, segundo o relato de Ana Carla, não tem ocorrido. 
 

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João Henrique Ribeiro
Pessoas assistem a mesa de debate durante o Fórum de Estágio em Serviço Social da UFOP, com painel projetado ao fundo e participação de lideranças e docentes.
O debate trouxe reflexões sobre os desafios da atuação profissional em contextos atingidos pela mineração
 
No período da tarde, os grupos de trabalho deram continuidade às reflexões, abordando aspectos como a precarização do trabalho nos campos de estágio, o aumento das demandas nos espaços sócio-ocupacionais e os limites impostos pela descontinuidade ou ausência de políticas públicas voltadas às populações atingidas. As discussões também levantaram questões sobre os processos de invisibilização e silenciamento que ainda atravessam parte das intervenções institucionais.
 
Para a professora Adriana Mesquita, "a realização anual do Fórum tem sido fundamental para a construção de frentes de lutas e resistências que coloquem em evidência o estágio qualificado como parte essencial na formação profissional". Nesse sentido, o professor Reginaldo Cordeiro, que assim como Adriana também particiou da organização do evento, destacou a reafirmação do compromisso com uma formação profissional crítica, comprometida com os direitos humanos, a justiça ambiental e o enfrentamento das múltiplas expressões presentes no território.
 
No encerramento do evento, foi anunciada a criação da especialização lato sensu "Questão Social, Política Social e Serviço Social no Território". Com início previsto para 15 de agosto, a pós-graduação será ofertada de forma pública, gratuita e presencial, com o objetivo de aprofundar os debates em torno das expressões contemporâneas da questão social e suas interfaces com o exercício profissional nos mais diversos contextos.

 

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