A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) marcou presença na direção e no desenvolvimento de roteiro da série documental “Paralelo 60: a ciência brasileira nos extremos do planeta”, por meio do professor Leandro Lopes. Composta por três episódios de 26 minutos, a produção relata a experiência de pesquisadores brasileiros na Antártica e no Ártico, traduzindo de maneira acessível como a ciência é feita em condições extremas e por que esses estudos se conectam diretamente com o Brasil e com desafios globais.
A série é fruto de uma expedição real de cientistas brasileiros, com destaque para a participação do professor Cláudio Eduardo Lana, do Departamento de Geologia da UFOP e vice-diretor da Escola de Minas. Ele integrou a 42ª Operação Antártica (Operantar), realizada entre 22 de novembro de 2023 e 24 de janeiro de 2024, a convite do Núcleo Terrantar da Universidade Federal de Viçosa (UFV).
TEMÁTICAS - A estreia da série acontece no dia 9 de junho, às 22h, na Rede Minas, com transmissão ao vivo pela internet e disponibilidade no Minas Play. Os episódios vão ao ar sempre às terças-feiras, no mesmo horário. Ao longo da temporada, a produção aborda temas fundamentais para o futuro da humanidade, como mudanças climáticas, biodiversidade polar, microbiologia, botânica, zoologia, geologia, oceanografia e biotecnologia.
O documentário também evidencia a importância da cooperação institucional para a presença brasileira nos polos, com o apoio de instituições como o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a Marinha do Brasil, o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, universidades, centros de pesquisa, agências de fomento e outros órgãos. Essa rede coletiva fortalece a atuação científica do Brasil na Antártica e no Ártico e ajuda a compreender desafios ambientais, climáticos e geopolíticos do presente e do futuro.
PRODUÇÃO - Para Leandro Lopes, a experiência como professor substituto na UFOP foi fundamental para o desenvolvimento da série. Segundo ele, "é muito interessante a gente ter esses espaços de interlocução, porque eles ampliam também a nossa rede de atuação e de pesquisa", acrescentando que a produção foi também uma oportunidade de "troca com os alunos, compartilhando aflições sobre a linguagem e a compreensão da série, de como ela poderia ser vista e percebida”.
EXPEDIÇÃO – Sobre a expedição, que ocorreu entre o dia 22 de novembro de 2023 e 24 de janeiro de 2024, vale lembrar que, durante 35 dias acampado na Ilha James Ross, ao lado de doutorandos e pesquisadores do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), Cláudio Lana coletou amostras de rocha, água e sedimentos, além de realizar análises de solo e manutenção de sensores ambientais em diferentes pontos da Península Antártica. A operação contou com o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e logístico da Marinha e da Força Aérea Brasileiras.
Em entrevista concedida à então bolsista Laura Borges para a
página da UFOP, publicada em 2 de fevereiro de 2024, o professor Cláudio destacou os desdobramentos institucionais da expedição: “A participação de um representante da UFOP na Operantar, para além da visibilidade institucional, abre caminho para que sejam firmadas parcerias futuras em outras áreas do conhecimento, com a consequente inserção de novos pesquisadores.”
A passagem do grupo pela Estação Antártica Comandante Ferraz também permitiu estudos com georadar (GPR) do substrato geológico, ampliando as frentes de investigação que agora retornam à UFOP para análise detalhada das amostras coletadas.