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Exposição traz vivências de estudantes com deficiência na UFOP

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Lívia Ferreira

"Multiplicidades" é a primeira exposição fotográfica produzida pelo Núcleo de Educação Inclusive (NEI). O ensaio, que apresenta alunos com deficiência ocupando os espaços da Universidade, foi produzido pelos estudantes Cíntia Soares, do curso de Jornalismo, e Matheus Victor, da Administração. A mostra está disponível no hall do Instituto de Ciências Exatas e Biológicas (Iceb) até sexta (14).

A iniciativa nasceu como desdobramento do projeto "Inclusão e Acessibilidade na UFOP: um processo de exercício de princípios democráticos na comunidade universitária". A intenção das bolsistas Carleugênia Gomes, Ludmila Ferreira e Tainara Magalhães era mostrar à comunidade acadêmica como os estudantes com deficiência ocupam os espaços da Universidade. Essa questão emerge quando se completam dois anos da implantação da reserva de vagas para alunos com deficiência, que passou a vigorar para as universidades no segundo semestre letivo de 2017. 

Como resposta, o projeto, vinculado ao Programa de Incentivo à Diversidade e à Convivência (Pidic), entendeu que a arte poderia ser um dos mecanismos para o exercício dos princípios democráticos, e que a fotografia talvez conseguisse explicitar a proposta objetivamente. Para Carleugênia, "a ação conseguiu mostrar todas e todos os estudantes, com algum tipo de deficiência, ocupando os espaços da Universidade, como é de direito delas e deles".

Ao decidir a exposição como plataforma de divulgação do projeto, foi necessário estabelecer quais trabalhos seriam expostos. Para a pedagoga e coordenadora do Núcleo de Educação Inclusiva (NEI), Adriene Santanna, a escolha parecia nítida. "Acompanhamos o desempenho dos nossos alunos nas atividades em seus cursos. Uma delas é Cíntia, que hoje estuda fotojornalismo. Não houve dúvida, o convite foi feito e aceito sem demora, e assim começamos a produção", afirma.

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Divulgação
Cíntia Soares na produção do ensaio

Cíntia Soares ingressou no segundo período de 2018 a partir das ações afirmativas para alunos com deficiência. Ela possui paralisia cerebral — é a primeira com este tipo de deficiência no curso de Jornalismo da Universidade. A estudante conta que imaginava todos os desafios que enfrentaria ao cursar as disciplinas práticas do curso. Vários eram os impasses, seja pelo manuseio da câmera, devido à coordenação motora reduzida, ou pelo peso dos equipamentos.

A professora de fotografia, Dayane Barretos, apresentou a Cíntia as possibilidades de avaliações alternativas. "Ela negou todas, pois queria experimentar sua relação com a câmera. Assim, pudemos observar juntas quais eram as suas limitações no decorrer do semestre", conta Dayane. As principais dificuldades estavam nas configurações do anel de distância focal e zoom. A solução encontrada foi, aparentemente, mais simples que o esperado.

Jornalista graduado pela Universidade Federal de Ouro Preto, Luiz Felipe Pereira foi o responsável por apresentar a resposta que a estudante procurava. Com um tripé apoiado e amarrado em sua cadeira de rodas, para dar estabilidade e deixar o equipamento mais próximo e na altura correta para garantir o conforto e a visão necessária para os cliques, e com um pedaço de barbante para garantir o trabalho com o foco, a questão foi contornada. Para Luiz, a adaptação é simples. "Como no eixo do motor de um carro, a força vem reta e depois se torna circular; aqui pensei o contrário, já que a Cíntia não consegue fazer movimentos circulares com as mãos".  O vídeo da montagem demonstra a utilização.

O ensaio contou com seis modelos, todos alunos da Universidade e com algum tipo de deficiência. Para o fotógrafo Matheus Victor, o único do grupo que não apresenta deficiência, a possibilidade de trabalhar com pessoas diferentes foi transformadora. "Saí da minha bolha social e me sinto mais sensível às coisas ao meu redor. Ver as pessoas expressaram suas ideias e falarem do que gostam foi incrível, cogito até transferir minha matrícula para Jornalismo", riu-se.

Para Cíntia, a experiência se resume em representatividade. "Foi legal estar dos dois lados do processo fotográfico. Servir como modelo ao mesmo tempo em que emprestei o meu olhar para as fotos mostra que a pessoa com deficiência é bonita e capaz, pode estar onde ela quiser e gostar. Acho engraçado que agora as pessoas me olham e apontam, olha lá a fotógrafa".

A EXPOSIÇÃO – também fazem parte do evento, que vai até sexta (14), intervenções em todo o Iceb que apresentam dispositivos legais a respeito dos direitos das pessoas com deficiência. Outra intervenção integrante é a "Caneta Corretora", que proporciona reflexões sobre frases preconceituosas comumente ditas sobre e para as pessoas com deficiência — um momento oportuno para refletir sobre a multiplicidade de cada pessoa.
 

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Lívia Ferreira

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