Criado por Administrator em ter, 24/03/2015 - 11:50
Agliene Melquíades/Fernando Cássio/Sandro Aurélio
A primeira palestra da 6ª edição da Calourada Vermelha, realizada na semana passada, no auditório do ICSA, foi uma roda de conversa sobre "A situação da mineração no Brasil e no mundo". Contou com as presenças do assessor político do Sindicato Metabase Inconfidentes, Jerônimo Castro; do estudante do curso de Serviço Social e membro da Liga dos Comunistas, Felipe Coelho; do membro da ANEL, Yuri Gomes; e do mediador e professor do Instituto, André Mayer.
Os participantes falaram sobre a privatização do sistema minerário brasileiro e a inviabilidade do processo nas empresas Vale e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). O pagamento de tributos pelas mineradoras e o baixo valor de royalties que elas pagam para o governo brasileiro e para as cidades atingidas, na tentativa de amenizar os impactos da atividade mineradora para a cidade e seus moradores, também foram assuntos abordados. Segundo Jerônimo, "a quantidade de dinheiro que as mineradoras deixam anualmente nas cidades em que desenvolvem essa atividade é baixa se comparado ao faturamento delas e aos problemas de saúde que a mineração pode trazer a seus trabalhadores (respiratórios, LER, estresse etc.) e às áreas afetadas".
Yuri Gomes, integrante da Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (Anel) abordou a importância da luta dos trabalhadores por melhores convicções e da aliança operário-estudantil no processo. Para ele, "a luta dos trabalhadores é também dos estudantes. Trazer o debate entre trabalhadores para dentro da Universidade e o debate entre universitários e trabalhadores, isso é fundamental. Às vezes, temos a ideia de que os muros da Universidade nos separam dos grandes problemas que estão do lado de fora, mas, quando se olha para além do muro e se encara a realidade, percebe-se que ela é comum".
Luta de classes na mineração
Com a participação do integrante do Sindicato Metabase Inconfidentes (Subsede Mariana), Valério Vieira, e do membro do Sindicato Metabase Inconfidentes (Sede Congonhas), Ivan Targino, a roda de conversa de quarta-feira à noite ocorreu no auditório do ICSA e teve como tema "Luta de classes na mineração na região da UFOP".
O primeiro palestrante foi Valério Vieira. Ele abordou os impasses da mineração na região da UFOP, com a queda brusca do preço da tonelada de minério (de US$ 200 para US$ 60), o que tem acarretado demissões nas sedes das empresas e nas terceirizadas. Fez menção também sobre o impacto sobre as prefeituras da região, com a redução drástica do pagamento dos royalties. Segundo Valério, "quando o minério arrecadava muito, as prefeituras pouco investiam na proteção social da região, imagina agora com a redução!". Para ele, em média, são só 2% de pagamento de royalties, e muitas empresas de mineração da região possuem milhões em atraso desse repasse e estão respondendo ação judicial.
Ivan Targino ressaltou o impacto dessa "crise" sobre a classe trabalhadora, sobre aqueles que trabalham na mineração. Dois movimentos acontecem: primeiro, a demissão de trabalhadores na sede e, em especial, nas terceirizadas, que não são mais contratadas. O segundo, uma intensificação sobre o trabalho daqueles que ficam nos postos, com horas de trabalho exaustivas, redução dos benefícios (como plano de saúde), redução nos salários e um alto índice de adoecimento psíquico.
Na quinta-feira, às 9h, no ICHS, a Calourada promoveu um debate sobre o uso de água na atividade minerária. A primeira palestrante foi Fernanda Oliveira, geógrafa e mestranda em Educação pela UFMG. Fernanda, de forma bastante didática, apresentou uma contextualização sobre a crise hídrica atual. Ela explicou que quase 60% da água potável de toda a região Sudeste vem de rios do estado de Minas Gerais. Uma orientação dada por ela foi o apoio aos pequenos produtores rurais, a preservação das nascestes e a valorização das nascentes urbanas. Fernanda afirmou que, sem tais medidas, a probabilidade de o sistema de abastecimento de águas da região metropolitana de Belo Horizonte entrar em colapso é alta.
Após a fala de Fernanda, quem palestrou foi Ivan Targino, diretor do Sindicato Metabase - Inconfidentes. Por ser operário, Ivan discursou dando exemplos práticos. Ele relatou que apenas o consumo diário da maior mineradora da Região seria possível abastecer por seis vezes a cidade de Belo Horizonte. Ele afirmou que as empresas mineradoras apresentam um desperdício enorme de água. Na visão dele, é preciso que essas empresas atuem de forma mais responsável, e que "a atividade minerária é essencial para qualquer processo de desenvolvimento e, por isso mesmo, mais responsabilidade com a água é necessária". Ele finalizou sua fala afirmando que é "preciso um novo conceito de mineração, de forma planificada".



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