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Comunidade acadêmica pede respostas para atos considerados racistas

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Vanessa Oliveira
Em repúdio aos atos considerados racistas cometidos no último "miss-bixo" por repúblicas estudantis ouro-pretanas, os alunos da Universidade, em conjunto com o Coletivo Negro Braima Mané e com apoio do Diretório Central das e dos Estudantes (DCE) e outras entidades, realizaram uma manifestação na UFOP, no Campus Morro do Cruzeiro, na manhã desta quarta (11). Segundo os participantes e organizadores, o objetivo do protesto foi cobrar uma resposta mais efetiva da Universidade em relação ao recente episódio.
 
Estudantes dos institutos de Ciências Sociais Aplicadas (Icsa) e de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), localizados em Mariana, e do campus Morro do Cruzeiro, em Ouro Preto, estiveram presentes na manifestação, que ocorreu em frente ao prédio do Restaurante Universitário. A ação contou com mais de 100 pessoas, que expressaram sua insatisfação com o suposto ato de racismo e com o posicionamento da Universidade. 
 

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Vanessa Oliveira
Manifestantes cobraram respostas para práticas consideradas racistas na Universidade
 
O coordenador do Coletivo Negro e coordenador adjunto do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas da Universidade (Neabi), Ângelo de Oliveira, destacou a importância do ato e a motivação dos alunos presentes na manifestação. "A nossa intenção com o ato é cobrar da UFOP. Vocês sabem que o ato começou com aquele episódio racista do 'miss-bixo'. Em momento nenhum nós mantivemos diálogo com as repúblicas, com as pessoas que foram acusadas, porque a nossa intenção não é para com eles, nossa intenção é com a Universidade, que precisa se posicionar e agir legalmente com essas pessoas, por ser a Instituição que as abriga, que é o motivo de essas pessoas estarem aqui e por ser o motivo de essa festa acontecer", assinalou Ângelo, completando que, "além de ser uma universidade que já é palco desse tipo de acontecimento há um bom tempo, a gente recebe denúncias disso há muitos anos. Então, a gente acredita que [a UFOP] precisa agir tanto punitivamente com essas pessoas quanto educativamente para evitar, coibir ou impedir que atos como esse aconteçam futuramente".
 
Por sua vez, a presidente do Conselho Municipal da Promoção da Igualdade Racial em Mariana e ex-aluna da UFOP, Aída Anacleto, mencionou a relevância da adoção de novas políticas afirmativas para a mudança de cenário entre os estudantes da UFOP. "A Universidade tem que avançar. Nós, enquanto sociedade civil, estamos juntos exigindo, inclusive, a implantação de uma política afirmativa, que é a Lei 10.639, em todos os cursos desta universidade, para que forme as pessoas, pelo menos sabendo de onde essa história nasce e quem somos nós". A Lei, de janeiro de 2003, incorpora no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira". A partir de 2008, com a Lei nº 11.645, foram incluídos os conteúdos referentes à história e cultura dos povos indígenas brasileiros.
 

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Vanessa Oliveira
Aída Anacleto do Conselho da Promoção da Igualdade Racial em Mariana
 
 
Já o diretor geral do DCE, Raul Pereira, destacou a motivação do ato e a importância da adesão dos estudantes. "O Ato de Combate ao Racismo teve como caráter principal o fator de cobrança efetiva sobre os casos ocorridos em espaços da Universidade, e o trabalho de conscientização para rompimento com a cultura da reprodução do racismo. Conseguimos realizar um ato com muitos estudantes, e a presença dos movimentos sociais demonstrou amplitude sobre o entendimento do ocorrido".
 
Raul ainda falou sobre a posição do DCE e reiterou a espera por mudanças. "O Diretório Central dos Estudantes espera uma resposta contundente e firme da Universidade sobre as práticas consideradas racistas. Todas as denúncias realizadas, em conjunto ao ato, são passos iniciais para o fortalecimento das lutas de combate ao racismo e também colocam em campo a necessidade de formulações e aperfeiçoamento da educação sobre questões étnico-raciais no ambiente universitário".
 
RESPOSTA DA UNIVERSIDADE - A Administração Central reforça que a Universidade é um espaço democrático, portanto aberto a manifestações. A que foi realizada nesta quarta (11), que tem na sua essência o combate ao racismo, tem sua legitimidade respeitada pela Administração Central, considerando que a pauta deve ser repercutida, inclusive pedagogicamente, uma vez que o preconceito racial, presente em nossas estruturas sociais, precisa ser desconstruído.
 
A organização do ato se deu a partir das organizações estudantis, sindicais e de coletivos. A Administração Central respeita e apoia o seu processo organizativo, mantendo-se aberta ao diálogo, e reitera sua posição de acordo com nota publicada em seu site, repudiando qualquer ato de racismo. Ao receber a denúncia, por meio de sua Ouvidoria, constituiu comissão para avaliar o caso, que tem prazo de 30 dias para emitir um parecer.
 

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