A abertura reuniu estudantes, professores, técnicos administrativos, representantes da comunidade e convidados em um momento de escuta e troca. Para a coordenadora do curso de Museologia, Gabriela Gomes, a exposição marca um novo tempo na história do curso. “Essa exposição ultrapassou as narrativas dos objetos, dos patrimônios, das imaterialidades. Nunca vi uma exposição com tantos percalços, uma exposição que chegou para marcar um novo tempo com toda a superação e luta”, afirmou, completando que “com toda dedicação, atenção e respeito, a exposição conseguiu conquistar o espaço não só no Departamento de Museologia, mas na UFOP e, sobretudo, na cidade de Ouro Preto e nos distritos”.
A exposição integra pesquisa acadêmica, práticas museológicas contemporâneas e escuta comunitária. Segundo a professora Ranielle, responsável pelo trabalho, o processo foi atravessado por encontros, deslocamentos e construção de uma relação de confiança com os moradores de Botafogo. “Fomos acolhidos e a todo momento a gente foi recebido de portas abertas. Subimos muitas trilhas para conversar com a comunidade e foi muito forte o processo. A história de vocês [comunidade de Botafogo] atravessou a nossa, isso é muito marcante. É com muito orgulho que olho para essa e para as outras turmas também. Vejo o quanto o nosso curso é de qualidade e como a gente tem alunos empenhados. Acredito muito no nosso departamento, no nosso curso e nos nossos alunos”, destacou.
TERRITÓRIO E MINERAÇÃO - A comunidade de Botafogo, localizada a cerca de sete quilômetros do Centro Histórico de Ouro Preto, tem sua origem ligada à descoberta do ouro na região. Nos últimos anos, a comunidade tem sido impactada por atividades minerárias, o que intensificou mobilizações em defesa do território. A exposição revela esse contexto a partir de três eixos centrais: memória, fé e resistência.
Durante a mesa de abertura, o morador e líder comunitário, Benito Guimarães, ressaltou a importância da exposição como instrumento de visibilidade. “Nós estamos lutando contra o colonialismo, então não é fácil. Eu me sinto orgulhoso de estar aqui, porque a Universidade abre o espaço pra gente falar”, pontuou.
A representante da turma, Isabela Bertoche, destacou que a escolha do tema foi unânime entre os alunos. “Desde o primeiro momento, todo mundo olhou para esse tema e falou: ‘É isso que a gente precisa trazer este ano’. A gente teve a oportunidade de observar como esse território vai muito além do que a gente vê. Além de todas as coisas materiais, existe uma grande teia de memórias que é tecida por muitas pessoas que possuem afeto por Botafogo”, declarou.
ARQUIVO E MEMÓRIA - Além dos objetos, registros visuais e narrativas, a exposição conta também com um curta-documentário produzido pelos estudantes, reforçando o caráter participativo do projeto. Intitulado “Raízes de Botafogo”, o curta é composto por depoimentos dos moradores de Santo Amaro de Botafogo e pessoas que possuem algum vínculo com o território. Confira o
trailer.
A visitação da exposição “Santo Amaro de Botafogo: Memória, Fé e Resistência” segue aberta ao público até 27 de fevereiro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h, na Sala de Exposições do prédio da Escola de Direito, Turismo e Museologia (EDTM). Às terças-feiras também há visitação noturna, das 17h30 às 20h. Além disso, a exposição oferece ao público oficinas com certificado para horas complementares e com coffee break. Acesse a
programação completa.