Em celebração aos 150 anos da Escola de Minas, a exposição "Casa de Gorceix: com a família Guimarães e Confrades" foi aberta ao público em um ato solene com a presença de alunos e ex-alunos, do reitor e da vice-reitora, além da vice-diretora da Escola de Minas (EM), na quarta (7). A mostra permanece aberta para visitação até 30 de outubro, na Casa de Vidro, ao lado do Restaurante Universitário.
A ação propõe uma viagem pelo sesquicentenário da Escola de Minas a partir da ligação entre a família Guimarães – do poeta Alphonsus de Guimarães – e a família fundadora da Instituição, a Gorceix. A "Casa de Gorceix" é realizada em parceria com o "Festival PaLavras", que celebra o aniversário da Escola de Minas, uma das escolas de engenharia mais antigas do país, fundada em 12 de outubro de 1876 pelo cientista francês Claude-Henri Gorceix, a pedido de Dom Pedro II.
Conforme o coordenador executivo da Comissão do Sesquicentenário da Escola de Minas, Cláudio Batista Vieira, a ideia da exposição foi concebida a partir da percepção da conexão entre as duas famílias, visto que Henri Gorceix era casado com Constança Guimarães. Além de Cláudio, a professora Guiomar de Grammont e Ana Claudia, do Museu Casa Alphonsus de Guimarães, de Mariana, também integraram a curadoria da exposição.
A professora Irce Guimarães, vice-diretora da Escola de Minas, enfatizou que ao longo da mostra é possível perceber muitas conexões entre a arte, a literatura e as pessoas que passaram pela Escola. Para ela, além da importância da EM, a exposição é centrada nas pessoas e "tem uma importância histórica muito grande, uma importância do legado da engenharia e das contribuições que as engenharias de Ouro Preto trouxeram para o mundo".
A exposição abrange literatura, ciência e memória, uma vez que as duas famílias eram multifacetadas, composta por escritores, poetas, cientistas e engenheiros que contribuíram para a história do país. A exemplo disso, Alphonsus Guimarães e Bernardo Guimarães, célebres escritores literatura brasileira, Djalma Guimarães, responsável por importantes descobertas do campo da geociência no Brasil, como a jazidas de nióbio em Araxá — que tornou o país em uma potência de nióbio — e o próprio Henri Gorceix.
PERTENCIMENTO - Durante a inauguração da exposição, a estudante do curso de Engenharia Urbana da Escola de Minas, Alice Dias Rôla Santos, leu cartas de Constancinha Guimarães, prima e musa do poeta Alphonsus de Guimarães, em que a jovem faz um relato do 11º aniversário da Escola de Minas.
Luis Ramon Nativo Gutierrez, egresso da Escola de Minas e formado na turma de 1985 em Engenharia Civil, é de El Salvador, esteve presente e resssaltou a organização das informações, documentos e da visita guiada à exposição feita por Cláudio Vieira. Emocionado, Luis relatou ter sido acolhido pela Escola de Minas ainda na adolescência quando ingressou no curso. "Acho que eu virei brasileiro quando vim para cá. E sempre volto. Faz quatro anos que venho todos os anos. Gosto muito de Ouro Preto porque é a cidade que me adotou quando eu era um adolescente.”
Irce comentou a relação de décadas dos ex-alunos durante o 12 de outubro e o legado para Ouro Preto. Segundo ela, a história da Escola de Minas permitiu que várias histórias se cruzassem e esse é o maior intuito da exposição: contar essas histórias entrelaçadas. "Ao mesmo tempo, é como se tivessem passando o bastão para quem está começando agora, e para quem quer também estudar na Escola de Minas. A exposição está atrativa por todos esse viés que conseguimos colocar”, destaca.
ACERVO EXCLUSIVO - Além de um sino exposto no Parque Ibirapuera em São Paulo, a Universidade Federal de Ouro Preto é o único lugar do Brasil a ter peças do Encouraçado São Paulo. A caldeira ao lado do Restaurante Universitário foi inaugurada em 2002, em homenagem a esse acervo da Revolta da Chibata e do marinheiro João Cândido Felisberto, almirante negro, líder da revolta. A Universidade agora estuda realizar o tombamento das duas caldeiras como patrimônio para que elas sejam melhor preservadas.
Além da Revolta da Chibata na Baía de Guanabara em 1910, que resultou na abolição definitiva dos castigos por chibatadas na Marinha Brasileira, o navio também protagonizou outros momentos importante na história do país, como o translado dos restos mortais de Dom Pedro II e da imperatriz Tereza Cristina ao Brasil. Outras peças do navio também são apresentadas na exposição.
A abertura da exposição se encerrou com a apresentação musical do grupo Samba de Lua.