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UFOP implanta painéis fotovoltaicos na busca por economia e redução de impactos

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Os impactos decorrentes dos modelos de geração de energia têm gerado debates em todo o Brasil e em diversos outros países. Entre as questões está a crescente demanda por energia elétrica, diante do esgotamento da capacidade de geração das hidrelétricas e dos prejuízos causados pela exploração de fontes mais poluentes. A questão torna-se ainda mais preocupante com as mudanças climáticas e a redução da dimensão das águas nos rios e dos períodos chuvosos, causadas pelo aquecimento global. O Brasil enfrenta uma das piores crises hídricas da sua história. A vazão média dos principais rios utilizados para gerar energia é a pior em 91 anos e, pela primeira vez, o governo federal emitiu um alerta de "risco hídrico" no país. 
 
Apesar de estudos apontarem que o Brasil tem grande potencial para ser o primeiro país do mundo a atingir a marca de 100% de matriz energética renovável (83,19% da matriz energética brasileira já é renovável), grande parte dessa produção está ligada às hidrelétricas, fonte que é considerada renovável, mas não sustentável, porque promove impacto socioambiental sensível. Atenta às tendências e na busca de soluções que contribuam ambientalmente e financeiramente, a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) deu início à implantação de painéis fotovoltaicos em suas unidades administrativas e acadêmicas.
 
As placas instaladas no campus Morro do Cruzeiro, em Ouro Preto, e no Instituto de Ciências Exatas e Aplicadas (Icea), em João Monlevade, fazem parte das metas do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI UFOP 2016-2025) e devem entrar em funcionamento em breve. Para a reitora Cláudia Marliére, a busca por energias alternativas, como a fotovoltaica, é um passo importante na busca da sustentabilidade socioambiental pela Instituição.
 
Até o momento, foram adquiridos 27 kits de geração de usinas fotovoltaicas, sendo que cada um possui 72 placas, totalizando 1.944 placas. A previsão é que o sistema seja entregue pela empresa contratada em novembro de 2021, com funcionamento pleno em março de 2022.
 
Por meio do efeito fotovoltaico, as células solares convertem diretamente a energia do sol em energia elétrica de forma estática, silenciosa, não poluente e renovável. Um ganho adicional dos sistemas fotovoltaicos instalados na UFOP é a possibilidade de interligação à rede elétrica pública, dispensando os bancos de baterias necessários em sistemas do tipo autônomo e os elevados custos e manutenção decorrentes deles. Esses sistemas não ocupam área extra por estarem integrados às estruturas das edificações nas quais estão instalados.
 
A nova regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que permite a injeção de energia na rede em troca de créditos na conta de luz, fez com que a geração descentralizada de energia fotovoltaica se tornasse uma opção interessante para consumidores. Esse tem se tornado um investimento cada vez mais atrativo, porque, após a recuperação do investimento inicial, a longo prazo se dará uma economia significativa.
 
O pró-reitor de Planejamento e Administração, Eleonardo Lucas Pereira, avalia que "os sistemas fotovoltaicos geram energia por pelo menos 25 anos". Soma-se a isso, segundo ele, a contribuição que a UFOP está dando para a redução do impacto ambiental da Instituição, uma vez que, "ao consumir a energia que é gerada, são eliminadas as perdas ocorridas na transmissão e distribuição", acrescentando que, "quando não está sendo consumida, a energia de fonte limpa gerada e injetada passa pela rede da distribuidora e é utilizada por outros consumidores". 
 

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As placas foram instaladas na Escola de Minas e no Cead
 
ECONOMIA - As placas vão funcionar no padrão on grid, que caracteriza o modelo no qual a conversão da energia solar em elétrica é feita de forma integrada ao sistema. Com isso, o efeito de economia no consumo da energia que é fornecida externamente pelas centrais elétricas é imediato. De acordo com a reitora Cláudia Marliére, "a redução do consumo deve ser considerada relevante como possibilidade não só de diminuição de custos, mas também como medida mitigadora de impactos socioambientais".
 
Em Ouro Preto, as unidades geradoras de energia foram instaladas sobre os laboratórios da Escola de Minas e no Centro de Educação Aberta e a Distância (Cead), com a potência de geração de 351,12 kwp, que é o dimensionamento do quilowatt pico, e de 40.982,42 kwh por mês. O investimento de R$ 1.212.453,85 deve gerar a economia mensal de R$ 19.248,17, fazendo com que se supere o valor aportado em cinco anos. No Icea, a instalação foi executada sobre os Blocos A e D com a potência de 147,84 kWp e média mensal de 17.035,60. O investimento de R$ 510.506,89 também deve ser compensado em pouco mais de cinco anos, com retorno mensal de R$ 7.233,59. 
 
O investimento total de de R$1.722.960,74 foi executado com recursos do Governo Federal, por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED). A descentralização dos recursos foi disponibilizada especificamente para ações de sustentabilidade, não podendo ser usada para outras ações de custeio e de investimento. 
 
REGIME REMUNERATÓRIO E COMPENSAÇÕES - O consumo a ser faturado passa a ser a diferença entre a energia consumida e a injetada no sistema, em cada posto e horário. Quando for o caso, a distribuidora utiliza o excedente que não tenha sido compensado no ciclo de faturamento corrente para abater o consumo nos meses seguintes. A energia que não for compensada na própria unidade será utilizada para compensar o consumo de outras unidades. Na UFOP, todas as unidades foram cadastradas para a compensação.
 
"Na configuração das instalações executadas, quando o gerador solar fornece mais energia do que a necessária para o atendimento da instalação consumidora, o excesso será injetado na rede elétrica: a instalação consumidora (UFOP) acumula um crédito energético. Por outro lado, quando o sistema solar gerar menos energia do que a demandada pela UFOP, o déficit é suprido pela rede elétrica. Perdas por transmissão e distribuição, comuns ao sistema tradicional de geração centralizada, são assim minimizadas", esclarece a prefeita do Campus, Sandra Nogueira.
 
META DO PDI – Diversas metas dos eixos temáticos do PDI tratam da necessidade de investimentos em sustentabilidade. A implantação das Usinas Fotovoltaicas cumpre o objetivo de otimizar e modernizar os sistemas de fornecimento, a distribuição e o uso de energia elétrica nos campi da Instituição, assegurando a confiabilidade e a segurança do fornecimento, junto com a redução dos gastos.
 
Essa proposição atende às condições da Resolução Normativa da ANEEL nº 482, de 17 de abril de 2012, que normatiza o acesso de microgeração e minigeração aos sistemas de distribuição de energia elétrica, bem como o sistema de compensação de energia elétrica, entre outras questões. Com isso, a Instituição fica autorizada a produzir energia e fazer a injeção desse recurso na rede. 
 
PROCESSO DE IMPLANTAÇÃO - A definição dos locais para a implantação das usinas nos campi de Ouro Preto e João Monlevade passou pela análise dos pontos de melhor produção de energia; por avaliação e laudos técnicos dos telhados para implantação; pela verificação dos limites de produção de energia sem adaptação da infraestrutura; e, no caso dos institutos de Mariana, pela aprovação de instalação nas edificações que fazem parte de conjuntos tombados e seus entornos. 
 
A implantação no campus de Mariana teve a aprovação do Iphan, mas somente para o Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (Icsa) e em uma área insuficiente em relação à dimensão da construção, uma vez que as edificações estão inseridas em áreas de tombamento e algumas delas são tombadas. Diante disso, Sandra Nogueira informou que a "avaliação técnica das coberturas para implantação das placas e laudos técnicos da área estrutural também não recomendaram sua instalação". 

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