A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) recebeu a visita dos pesquisadores franceses Leila Boudra, da Universidade Paris 8, e Thomas Faget, do Instituto Nacional Francês de Pesquisa para Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente (INRAE). A programação integrou o programa Capes-Cofecub, iniciativa que busca fortalecer redes de pesquisa entre instituições brasileiras e francesas por meio da troca de experiências.
Durante a visita, os pesquisadores conheceram iniciativas de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas pela UFOP na região. Entre as atividades realizadas, destacaram-se as visitas ao assentamento Cafundão, onde acompanharam ações relacionadas à agricultura familiar e à produção artesanal em pedra-sabão, e ao Fórum do Lixo e da Cidadania, realizado no galpão da Associação de Catadores do Padre Faria.
Segundo o professor da UFOP Raoni Rocha Simões, responsável por organizar a programação, o diferencial do edital está justamente na liberdade para que os pesquisadores construam coletivamente as atividades. “Eu acho que é fundamental. A gente já tem um discurso na universidade de internacionalização e essa é uma oportunidade verdadeira de promover esses encontros", afirmou.
Para Leila Boudra, a experiência permitiu conhecer de perto uma característica marcante das universidades brasileiras: a extensão universitária. A pesquisadora destacou que os projetos desenvolvidos em parceria com as comunidades locais representam uma importante fonte de aprendizado para as instituições francesas.,“Temos uma estrutura comum chamada ‘Ciência para e com a sociedade’. No entanto, o que é realizado aqui com os projetos de extensão é mais impactante do que o que fazemos na França. Isso se deve, principalmente, à necessidade de trabalhar com a comunidade local".
Além da aproximação com projetos sociais e comunitários, a pesquisadora ressaltou que os desafios relacionados ao trabalho sustentável são compartilhados por diferentes países e que a cooperação internacional permite identificar tanto semelhanças quanto diferenças capazes de enriquecer as pesquisas desenvolvidas nos dois países.
A visita também proporcionou reflexões sobre os processos de internacionalização das universidades e sobre iniciativas de inovação desenvolvidas pela UFOP. Thomas Faget destacou o contato com a incubadora da Instituição como um dos pontos mais relevantes da programação. “Foi muito interessante conhecer a incubadora e seu projeto, que está ligado ao território e aos desafios sociais e tecnológicos”, comentou.
Segundo o pesquisador, embora existam diferenças entre os modelos brasileiro e francês, ambos compartilham objetivos semelhantes no incentivo ao empreendedorismo e ao desenvolvimento de soluções voltadas para a sociedade.