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Chá com Ciência discute impactos dos algoritmos e da desinformação nas redes

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Pedro Vitor Silva
Imagem mostra um auditório com estudantes sentados e algumas cadeiras vazias. Os participantes do acompanham a apresentação via meet com professor assistente Manoel Horta Ribeiro, da Universidade de Princeton, EUA. O debate foi sobre mediação algorítimica
A primeira mesa de debate do Chá com Ciência teve como temática “Do clique à crença: algoritmos e mudança de atitudes”, com apresentação do professor assistente Manoel Horta Ribeiro, da Universidade de Princeton. O evento foi realizado no Auditório G-20, do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), com a presença de estudantes e professores.
 
O professor Manoel apresentou estudos científicos que buscam entender qual é o papel do algoritmo na entrega de conteúdos extremistas ou polarizados. O pesquisador apresentou seu estudo com base no YouTube, plataforma de consumo e produção de vídeos. Para o acadêmico, estudar plataformas digitais é um desafio constante, pois elas mudam constantemente suas dinâmicas e ferramentas.
 
Manoel acredita que a recomendação do algoritmo não é responsável por entregar conteúdos radicais aos usuários. Para testar sua hipótese, ele criou dois robôs automatizados que acompanharam o histórico pessoal de visualizações do YouTube durante meses. Em determinado momento, o robô parou de analisar o histórico e passou a seguir as recomendações da plataforma com base nas preferências do usuário. “As mudanças trazidas pelo YouTube no sistema de informação são muito mais estruturais. Elas têm mais ligação com o tipo de criador que a plataforma permite do que, necessariamente, com o algoritmo”, afirma.
 

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Pedro Vitor silva
imagem mostra a professora Regina Horta da Ufop , ela está em pé e faz uma pergunta ao professor Manoel. Os demais estão sentados acompanhando o diálogo.
O Chá com Ciência promove debates sobre assuntos contemporâneos como mediação das plataformas, desinformação e negacionismo.
 
A partir da pesquisa, o pesquisador conclui que os usuários iniciam em canais convencionais e, posteriormente, de acordo com suas preferências, encontram uma espécie de comunidade de iguais, com conteúdos negacionistas, de ódio, violência e desinformação. Para a professora visitante do Programa de Pós-Graduação em História da UFOP (PPGHIS/UFOP), Regina Horta Duarte, a regulamentação não seria a solução, por se tratar de um fator humano. “Às vezes, as pessoas migram para canais mais difíceis; por exemplo, deixam o YouTube e buscam esses conteúdos no Telegram. Então, o problema é muito mais humano e, por isso, muito mais complexo”, enfatiza.
 
No encerramento, os participantes puderam socializar e compartilhar um momento de confraternização com chá e biscoitos. A professora Regina conta que o momento de partilha foi pensado como forma de generosidade para aqueles que produzem e divulgam a ciência. O Chá com Ciência surge da parceria da professora Regina com as professoras Anny Torres Silveira e Helena Miranda Mollo, ambas da UFOP, e todas atuantes no campo da História da Ciência.
 
A próxima discussão proposta pelo evento será em 27 de maio, às 17h, com o tema “Quem são os negacionistas? Uma conversa sobre ciência e política”, ministrada pela professora Simone Petraglia Kropf, doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz.
 
O evento é aberto ao público e haverá emissão de certificados.
 

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