
Criado por Maria Eduarda de Lima em ter, 31/03/2026 - 16:06 | Editado por Maria Eduarda de Lima há 2 dias.
A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) é tema de uma dissertação que investiga como práticas de economia circular têm sido incorporadas na rotina da instituição. O trabalho, defendido pela mestra Karoline Barbosa Lima Costa de Souza no Programa de Pós-Graduação em Economia Aplicada (PPEA), analisa iniciativas já existentes e aponta desafios para que essas ações deixem de ser pontuais e passem a integrar de forma permanente a Universidade.
Intitulada “Economia Circular e o papel das universidades: um estudo para a Universidade Federal de Ouro Preto (MG)”, a dissertação foi orientada pela professora Fernanda Faria Silva e coorientada pelo professor Gabriel Max Dias Ferreira, e integra as ações do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG), da Capes.
A economia circular propõe uma mudança no modelo tradicional de produção e consumo. Em vez de um sistema linear baseado em extrair, produzir e descartar, o conceito defende um ciclo contínuo, no qual os resíduos são reaproveitados como insumos para novos produtos. Esse modelo busca reduzir o desperdício e ampliar o uso eficiente dos recursos. Na prática, isso significa repensar a cadeia produtiva, para que materiais descartados possam ser reinseridos no processo produtivo.
A pesquisa mostra que a UFOP já desenvolve diversas ações relacionadas à economia circular, especialmente nas áreas de ensino, pesquisa, extensão e gestão. No entanto, essas iniciativas ainda ocorrem de forma fragmentada e, muitas vezes, dependem de projetos específicos ou do engajamento individual de professores e equipes.
Nesse sentido, a dissertação aponta que o principal desafio está em transformar essas ações em políticas institucionais. Segundo Karoline, isso passa por integrar a economia circular aos instrumentos formais da Universidade, como contratos, compras públicas e planejamento institucional. Ela destaca que, atualmente, muitas iniciativas “ainda dependem de projetos específicos, editais com duração limitada ou do engajamento individual”, o que compromete sua continuidade. Para ela, o avanço ocorre quando essas ações deixam de ser individuais e passam a fazer parte das diretrizes da própria instituição.
Entre as práticas já existentes, o estudo destaca iniciativas relacionadas à gestão de resíduos e à educação ambiental. Um dos exemplos é a implantação de ecopontos no campus Morro do Cruzeiro, realizada em parceria com associações de catadores do município. A autora ressalta que essas ações “são muito importantes porque fortalecem a relação da universidade com o território”, ao integrar a comunidade às práticas sustentáveis.
Outro destaque é um projeto de extensão desenvolvido no Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA), que articula economia circular com qualidade de vida e bem-estar. A iniciativa envolve atividades como trocas de roupas e de livros, oficinas de reaproveitamento e ações educativas.
A dissertação também aponta o papel estratégico da universidade na promoção dessas práticas para além do campus. De acordo com a pesquisadora, a UFOP pode atuar como um espaço de articulação entre diferentes atores, como poder público, sociedade civil e associações de catadores. Ela afirma que, ao fortalecer essas ações internamente, a Universidade contribui para que elas se expandam para Ouro Preto e Mariana.
O estudo conclui que a economia circular, para se consolidar, precisa ir além de iniciativas isoladas e se tornar parte da rotina institucional. Esse processo envolve tanto mudanças na gestão quanto o engajamento da comunidade acadêmica.



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