Com o tema "Do impresso ao digital: reflexões e perspectivas sobre usos e compartilhamentos da informação", o Sistema de Bibliotecas e Informação (Sibin) realizou, na quinta (22), no Museu de Farmácia, o evento que celebrou o Dia Nacional do Livro e o aniversário da Biblioteca Nacional, comemorados em 29 de outubro.
A programação contou com palestras e mesas-redondas que trataram de diversos aspectos relacionados à leitura e ao uso da informação na era da tecnologia, por meio de livros que operam como memória e resistência. Foram abordados também aspectos como a função da leitura e da escrita na promoção do bem-estar e da saúde mental — com as técnicas da biblioterapia e escritaterapia —, além do uso e dos limites da inteligência artificial como ferramenta no processo da escrita e produção acadêmica.
Diretora do Sisbin, Luciana de Oliveira, ressalta o evento promoveu reflexões sobre a importância do livro e da leitura na formação do pensamento crítico. "Para a UFOP, iniciativas como essa reforçam o compromisso institucional com a educação, a cultura e a produção do conhecimento, além de valorizarem as bibliotecas universitárias como espaços fundamentais de acesso à informação e incentivo à leitura, bem como o trabalho dos profissionais que atuam nessas unidades".
A professora da UFMG e presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia, Dalgiza Andrade, explicou a importância das bibliotecas e da leitura como ferramenta para a alfabetização e formação do pensamento crítico e o papel das bibliotecas universitárias brasileiras, um dos instrumentos de avaliação das Instituições de Ensino Superior.
Dalgiza destacou que as bibliotecas criam "vínculo com a literatura, mas também com a ciência e as linguagens da cultura, como o cinema, o teatro e a música", tornando-se "uma ferramenta de formação humana e crítica". Ela ainda parafraseou Paulo Freire para se referir à importância do ato de ler: "a leitura do mundo precede, mas também se prolonga, em sua relação com a leitura da palavra".
Outra mesa do evento fez uma abordagem sobre "Livros, memórias e resistência". Nessa mesa, mediada pelo servidor do Departamento de Museologia, Edson Fialho, o vice-diretor da biblioteca universitária da UFMG, Wellington Marçal, lembrou os impactos da censura nos anos da ditadura militar para os estudantes, professores e servidores das universidades. Wellington ressaltou também a importância da comunidade bibliotecária, dos livros como instrumento de ressocialização e das bibliotecas como local de produção e reprodução de conhecimento.
Já a mesa "Leitura e escrita como função terapêutica", com a participação da bibliotecária e psicóloga Mariana Ferraz e da escritora e vice-reitora da UFOP, Roberta Froes, mediada pelo chefe de gabinete Rondon Marques, debateu, a partir do relato de vivências, o papel de cura da leitura e da escrita na vida das pessoas e sua importância como ferramenta decolonial.