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Neabi realiza visita técnica em cemitério de escravizados em Ponte Nova

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Arquivo pessoal
Grupo de sete pessoas posa em uma escadaria de pedra ao ar livre, em frente a uma antiga estrutura de alvenaria. Ao redor há vegetação seca, um morro coberto por capim e um conjunto de bambus ao fundo. O céu está nublado, com algumas áreas de azul visívei
Integrantes do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) fizeram, na semana passada, uma visita técnica às ruínas de um cemitério de escravizados, localizado na zona rural de Ponte Nova, a convite da Secretaria Municipal de Cultura da cidade.
 
A ação integra a fase de discussões para a consolidação de uma parceria entre a Universidade e o município com o objetivo de desenvolver projetos de pesquisa, extensão, cultura e educação patrimonial sobre a história da população negra ponte-novense. 
 
Os professores e pesquisadores do Neabi Ana Soares, Clézio Gonçalves, Janete Flor de Maio e Luciano Roza compõem a comissão de elaboração do projeto que, em conjunto com a equipe da Prefeitura de Ponte Nova, trabalha na concretização da parceria.
 
HISTÓRIA E MEMÓRIA - Segundo a professora Janete Flor de Maio, a visita técnica foi bastante singular, pois "trata-se de ruínas de um cemitério de escravizados protegido por um muro que o cerca totalmente, com imponentes colunas e escadas na fachada". A professora relatou que no local foram encontrados vestígios de celebrações recentes de religiões de matrizes africanas, o que revela que o cemitério tem grande significado para a comunidade.
 
Já para a professora Ana Soares, a ida a Ponte Nova para conhecer o cemitério foi surpreendente. "Trata-se de um lugar majestoso, profundamente conectado ao território que o circunda e de uma importância para a história e a cultura local difícil de mensurar". Ela enfatizou a relevância do reconhecimento pelo município do potencial desse monumento como um espaço de memória, pesquisa e fortalecimento dos vínculos da comunidade com sua própria história. 
 
O coordenador-geral do Neabi, Clézio Gonçalves, salientou que essa perspectiva de parceria tem grande importância acadêmica, social e cultural, pois fortalece as ações da Universidade na formação de estudantes e pesquisadores, assim como contribui para a promoção da justiça, a reparação histórica e o fortalecimento das políticas de preservação do patrimônio, por meio de ações de pesquisa, extensão e cultura.
 
O professor destacou ainda o valor do convite ao Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas para a visita a Ponte Nova, uma vez que a ação "reforça o prestígio do Neabi e o compromisso da UFOP com a extensão universitária, a produção de conhecimento socialmente referenciado, que contribui para a preservação da memória das populações negras e para a construção de uma sociedade mais democrática e comprometida com a verdade histórica", assinalou.
 
O vice-coordenador do Núcleo, Luciano Roza, ressaltou que a visita representa um importante passo para iniciar o diálogo entre o Neabi e a Prefeitura de Ponte Nova, pela contribuição de relevante impacto para a Universidade quanto a questões sobre o patrimônio e a memória histórica da população negra na região. 

 

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