A professora e pesquisadora Áquila Bruno Miranda foi contemplada no prêmio UFMG de Teses 2026, com a tese de doutorado defendida por ela em 2025, que já havia sido indicada pelo Colegiado de seu programa como a melhor do ano na instituição. A premiação reconhece os trabalhos de maior impacto da Universidade Federal de Minas Gerais e concorre também ao grande prêmio das Grandes Áreas do Conhecimento. Pesquisadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi/UFOP) e ex-professora do Departamento de Educação (Deedu), Áquila tem carreira acadêmica marcada pela abordagem de pautas ligadas a diversidade e equidade étnico-racial.
A tese de doutorado intitulada "O cocar não anda sem o turbante e o turbante não anda sem o cocar: (Re)conhecendo redes afetivas, políticas e epistêmicas entre professoras indígenas, negras e quilombolas a partir do Tehêy de Pescaria do Conhecimento de Liça Pataxoop para o enfrentamento do racismo ambiental" foi desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFMG, na área de Psicologia Social, sob orientação da professora Claudia Mayorga.
Áquila explica que o trabalho surgiu de discussões com outras colegas professoras de comunidades indígenas e quilombolas. "A pesquisa partiu dos encontros entre mim, enquanto professora e psicóloga negra, a professora indígena Dona Liça Pataxoop e a professora quilombola Simone Silva, do Quilombo de Gesteira, tendo o Tehêy de Pescaria do Conhecimento como um dos principais caminhos de produção e partilha de conhecimentos. A partir desses encontros, a tese buscou compreender os saberes, as práticas e as memórias ancestrais mobilizados por mulheres negras, indígenas e quilombolas no enfrentamento ao racismo ambiental, especialmente em territórios atravessados por conflitos socioambientais, como aqueles atingidos pelo rompimento da Barragem de Fundão".
Ela também relata o sentimento ao ter o trabalho reconhecido. "O reconhecimento da nossa tese diz respeito ao reconhecimento de uma escrita coletiva, tecida nos encontros e nas alianças com mulheres amefricanas que resistem, cotidianamente, ao apagamento colonial. Esse reconhecimento afirma que a peneira de Gesteira, o Tehêy de Dona Liça e o pesquisar-vivendo tecido nesses encontros têm lugar na universidade e são conhecimentos fundamentais para pensarmos futuros emancipatórios", completou Áquila.