O Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (Icsa) da UFOP será sede do III Seminário da Rede Linhas: Limites e Potências do Atordoamento nas Catástrofes Cotidianas, que ocorrerá de 6 a 8 de maio, na hemeroteca do Instituto, em Mariana. O objetivo é discutir de que forma as catástrofes impactam e reverberam na vida das pessoas para além do momento do acontecimento. O encontro reúne pesquisadores e estudantes da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), da Universidade Federal de Uberlândia (Ufu) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O evento, organizado pelo grupo Cultura Fotográfica, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da UFOP, é coordenado pelo professor do Departamento de Jornalismo da UFOP, Flávio Valle. O docente destaca que a iniciativa surge como oportunidade para refletir sobre os atravessamentos da catástrofe: "A proposta é pensar como a catástrofe continua operando no cotidiano, produzindo efeitos que não se encerram no momento do acontecimento."
O termo "catástrofes cotidianas" emerge de acontecimentos que romperam a normalidade e não se encerram no momento do desastre. O rompimento da Barragem de Fundão, em 2015, mesmo após dez anos do desastre, ainda tem seus efeitos sentidos até hoje, por exemplo, no Acordo de Repactuação de Mariana, firmado em 2024. Dessa forma, o seminário oferece um espaço para uma leitura crítica que busca compreender os efeitos do desastre no decorrer do tempo.
Programação — durante os três dias, a programação inclui mesas de debate, apresentações de pesquisas, atividades formativas e ações de integração entre pesquisadores e estudantes.
Em 6 de maio, a abertura reúne apresentações de iniciação científica sobre moda periférica, música, raça, gênero, religião, vida ordinária, cinema, luta pela terra e imagem. À noite, a mesa “Catástrofes Cotidianas: Potências do Atordoamento” reúne trabalhos de pesquisadores da UFU, UFOP e UFMG sobre cultura visual, fotografia, montagem visual, violência doméstica, poéticas do tempo e narrativas midiáticas.
Já no dia 7, os trabalhos discutem leitura de imagens, inventário de produções midiáticas latino-americanas, fotografia participativa, ações extensionistas, narrativas de travestis na universidade, mobilidade urbana excludente, dramaturgias de mulheres latino-americanas, gênero e política digital. A mesa aproxima campos distintos, mas mantém um eixo comum: como pesquisar experiências atravessadas por conflito, desigualdade e disputa de sentidos.
No encerramento,em 8 de maio, os grupos de pesquisa se reúnem para encaminhamentos e balanço coletivo, com a proposta de consolidar o diálogo entre os pesquisadores, pensar desdobramentos futuros e reforçar a presença da universidade pública em debates que dizem respeito à vida social de Minas Gerais.
A participação é destinada a estudantes, professores e pesquisadores das Ciências Humanas, Sociais, Sociais Aplicadas e Artes, agentes culturais e sociais, especialmente aqueles que atuam com populações vulneráveis, e ao público geral com interesse em compreender como os desastres afetam o cotidiano.