Criado por Administrator em qui, 30/10/2014 - 15:12
Ana Elisa Siqueira e Daiane Bento
O cortejo do Maracatrupe, grupo de estudos de maracatu de baque virado da UFOP, iniciou as atividades do projeto Sou Mais Juventude, na tarde de ontem (29), no campus Morro do Cruzeiro, em Ouro Preto. Com o tema "Universidade para quê e para quem?", o projeto propôs ações estudantis para problemas da própria Universidade, como questões relacionadas às moradias estudantis, as políticas públicas internas, o relacionamento da Instituição com as comunidades e as opressões.
Maracatrupe e sua batida forte deram início ao Sou Mais Juventude. Foto: Ana Carolina Vieira.
A aluna do 1º período do curso de Pedagogia, Scarlet Souza, considera a oportunidade de participar de um diálogo, em que se expõem e ouvem opiniões diversas, um dos motivos para querer participar do evento. "Acho o Sou Mais Juventude interessante, principalmente para quem está no primeiro período. Podemos entender como funciona a faculdade, debater e argumentar as questões levantadas", explica a estudante.
As apresentações artísticas e as oficinas de temas variados também chamaram a atenção de quem passava. A oficina "Eco tintas", ministrada pelo aluno Sereno Guerra, do 8° período do curso de Química, despertou a curiosidade dos estudantes, principalmente de Débora Almeida, do 5° período de Engenharia Ambiental. "Aprendi como funciona o processo de produção de tinta através de minerais. Pintei uma parte da tela e ajudei a misturar a tinta. Achei bem interessante, principalmente para a área ambiental". Sereno explica que a ideia da oficina foi repensar o consumo e divulgar o produto. "Essa é uma tinta natural, tem menos impacto ambiental em comparação com outras tintas, além de não ter nenhum tipo de reação alérgica: você pode pintar a casa e dormir nela no mesmo dia", ressalta. Ele elogia a iniciativa do Sou Mais Juventude. "Acho legal esse diálogo que não é imposto pela Universidade. Devemos dialogar para chegar a um consenso de quais são as melhores opções e repensar a extensão. Acho que temos mais coisas para fazer, nós fazemos pouco ainda".
Raquel do Pilar, Rogério Santos, Célia Maria, Marcone Freitas, Margareth Diniz e outras autoridades compõem mesa de abertura. Foto de Ana Carolina Vieira
Na concha acústica aconteceu a Plenária com a presença de membros da reitoria, do projeto, da Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis (Prace), da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) e da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd). Após a plenária foi iniciado o primeiro bloco de rodas de conversa. Professores e alunos fizeram a mediação das mesas, que em quase todas assumiram o formato de roda de conversa, em que não havia alguém em destaque, mas sim todos com o direito de se manifestar igualmente.
O diálogo sobre as moradias estudantis aconteceu no auditório do Iceb, onde membros de todas as associações de moradias disponíveis na Universidade tiveram seus representantes à mesa. Com o intuito de refletir sobre um modelo ideal, único ou plural para as residências estudantis, cada representante teve de cinco a sete minutos para expor seus tipos de moradias, e depois o público pôde participar com o microfone aberto para se discutir os prós e contras de cada sistema. "As moradias da UFOP surgiram em um contexto histórico diferente e começou com as repúblicas federais de Ouro Preto. Com o crescimento da Universidade, várias moradias começaram a ser criadas com critérios de ingresso, administração e permanência diferentes dessas primeiras repúblicas" explica a coordenadora da Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis (Prace), Camélia Vaz Penna.
Dentro do tema políticas públicas foram discutidos os preços dos xérox, a possibilidade de um transporte intercampi e a viabilização da mobilidade internacional. Já no tema opressões aconteceram reflexões sobre o espaço do negro dentro da Universidade, e também sobre a questão de gênero, propondo ações contrárias à homofobia e as formas de ingresso e permanência de todo o tipo de público na Universidade.
Ainda no período da tarde ocorreram intervenções artísticas do Departamento de Artes da UFOP (Deart) e à noite começou o segundo bloco de rodas de conversa. Destaque para as mesas com temas diferentes do primeiro bloco, como a que discutiu a violência sexual no ambiente universitário, tanto em festas estudantis, como dentro das próprias instituições. A importância sobre o trabalho da UFOP junto à comunidade e a discussão sobre a importância do esporte na comunidade acadêmica foram outros temas do segundo bloco de conversa.
Projeto Sou Mais Juventude - Vinculado ao Programa Caleidoscópio, esse projeto visa à construção coletiva e horizontal de uma política de juventudes na UFOP. O trabalho mobiliza unidades, institutos e departamentos para ações de cunho acadêmico, político, artístico, cultural e social, de forma a conferir aos jovens a centralidade de suas ações e intervenções articuladas no tripé pesquisa, ensino e extensão. O projeto tem o objetivo de percorrer todos os campus da Universidade.



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