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Campus João Monlevade ganha clube do livro para mulheres cis e transgênero

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Divulgação
contribuição feminina que foi silenciada e apagada da ciência e da história da humanidade
O campus de João Monlevade ganha neste semestre um clube do livro voltado exclusivamente para mulheres cis e transgênero. Criado como projeto de extensão pela professora Anny Verly, do Departamento de Engenharia Elétrica (DEELT) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Vozes de Matilda tem como objetivo usar a literatura como ferramenta de conscientização sobre a equidade de gênero e reconhecimento do trabalho intelectual feminino na ciência e na literatura. 
 
O grupo de leitura é um espaço de discussão sobre a contribuição feminina silenciada e apagada na ciência e na história da humanidade. O início dos encontros está previsto para o começo do segundo semestre letivo de 2026. Segundo a coordenadora do projeto, o objetivo é construir um ambiente seguro, de acolhimento e fortalecimento entre mulheres.
 
Os encontros devem acontecer presencialmente nas dependências do Instituto de Ciências Exatas e Aplicadas (Icea), em salas de aula, no auditório ou em áreas abertas do campus, a depender do número de inscritas. A divulgação de locais e datas será realizada pelas redes sociais do projeto e pelo e-mail institucional. Os debates são em formato de roda de conversa, divididos em três etapas: introdução ao livro escolhido, debate mediado pelas organizadoras e encerramento, com a síntese das discussões e informações sobre a próxima leitura.
 
Anny explica que a ideia nasceu do desejo de usar a leitura para lidar com os obstáculos enfrentados pelas mulheres cotidianamente. "O Clube do Livro busca unir melhoria da saúde mental, empatia, comunicação e redução do estresse à urgência de discutir as barreiras de gênero que ainda persistem na sociedade e, por incrível que pareça, nas universidades, sobretudo nas engenharias", contextualiza a professora. 
 
As leituras até o final do ano já foram selecionadas, a partir de votação de integrantes da organização do projeto e de potenciais participantes. As obras escolhidas são: "Estrelas além do tempo", de Margot Lee Shetterly; "Um teto todo seu", de Virginia Woolf; e "Marie Curie e suas filhas", de Claudine Monteil.
 
De acordo com Anny, os livros selecionados transitam por estilos literários diferentes e reúnem como eixos centrais de debate barreiras de gênero, questões raciais e resistência feminina. "Em vez de nos prendermos a um gênero específico, como clássicos ou ficção, nossa curadoria busca obras capazes de provocar reflexões sobre a equidade e a invisibilização das mulheres na sociedade e na ciência", enfatiza.
 
A ciência feminina por trás da idealização do Vozes de Matilda
 
Anny explica que o nome Vozes de Matilda faz referência ao conceito da historiadora da ciência Margaret Rossiter, cunhado em seu artigo “The Matthew Matilda Effect in Science", o "Efeito Matilda". Em seu trabalho, a pesquisadora evidencia o modo como as descobertas feitas por mulheres cientistas foram historicamente atribuídas a seus colegas ou a supervisores homens. 
 
O termo de Rossiter foi utilizado para batizar o fenômeno de apagamento das contribuições femininas na ciência. Segundo Anny, para a criação do conceito a autora resgatou o ensaio “Woman as Inventor", publicado em 1870 pela ativista Matilda Joslyn Gage, que denunciava a negação da autoria de invenções femininas. O "Efeito Matilda" foi consolidado como um mecanismo da Sociologia da Ciência e demonstra como o gênero representa um fator estrutural nas desigualdades acadêmicas.
 
"O clube é um espaço aberto, onde as estudantes do Icea podem conversar, refletir e compartilhar diferentes perspectivas e interpretações acerca das leituras. Esperamos que essa iniciativa crie uma atmosfera no Icea em que as mulheres se sintam valorizadas, acolhidas e pertencentes a esse espaço", conclui Anny. 
 
O Vozes de Matilda conta com a contribuição das estudantes voluntárias Any Gabrielle de Souza e Silva e Giovana Soares Romanhol, da graduação, e Ana Clara Freitas dos Santos e Aline Letícia Martins Fragoso, do mestrado, o apoio da técnica administrativa Liziane Bruna Barcelos e a colaboração dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia de Produção (PPGEP) e Engenharia Elétrica (PPGEE), por meio dos professores Luciana Paula Reis e Rodrigo Augusto Ricco, respectivamente.
 
Para conhecer um pouco mais sobre o Vozes de Matilda, basta acessar a página do projeto no Instagram: @vozesdematilda.ufop. 

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