Estudantes da disciplina Oficina de Extensão I - Universidade e Educação, do curso de Serviço Social, fizeram na semana passada, uma visita técnica a Congonhas e à Comunidade Quilombola de Santa Quitéria.
Durante a viagem, os estudantes visitaram a sede do Sindicato Metabase de Congonhas, onde participaram de atividades da entidade e puderam conhecer sua estrutura e atuação nas lutas em busca de reivindicações trabalhistas no contexto do extrativismo minerário na cidade.
Após a atividade, os estudantes participaram de um almoço com comidas típicas feitas no fogão à lenha na comunidade Quilombola de Santa Quitéria, junto a integrantes de movimentos sociais, como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), e representantes do poder público. O grupo teve a oportunidade de interagir com a riqueza de memórias, saberes ancestrais e culturais da comunidade, que mantém as tradições na região. Na ocasião, foi discutida a importância da construção de políticas de proteção a defensores dos direitos humanos.
Os estudantes também conheceram a histórica Capela de Santa Quitéria, construída na primeira metade do século XVIII, que recentemente foi tombada como patrimônio histórico municipal de Jeceaba.
Aline Soares, liderança da comunidade e integrante do MAB, apresentou a pesquisa recente feita pela comunidade na Arquidiocese de Mariana, que identificou registros de batismos na capela de pessoas escravizadas, em 1733, o que comprova a ancestralidade quilombola do território.
CERTIFICAÇÃO - A comunidade de Santa Quitéria comemorou um ano da Certificação como Comunidade Tradicional Quilombola junto à Fundação Palmares. O reconhecimento foi um marco importante na luta, na vida e na permanência da comunidade no território, que estava ameaçado por um decreto que pretendia expropriá-lo da população e concedê-lo à mineração.
Ao final da visita, os alunos foram até a barragem Casa de Pedra, considerada a maior barragem em área urbana da América Latina, onde receberam explicações técnicas sobre a estrutura e seu impacto para o município de Congonhas e região.
Os estudantes destacaram a importância da viagem para uma formação mais crítica, que ultrapassa os limites da sala de aula e que seja comprometida com a compreensão da realidade e com a defesa dos direitos sociais pelo profissional da assistência social. No Serviço Social é imprescindível conhecer diferentes territórios e realidades sociais para compreender as expressões da questão social e os conceitos sociais que se manifestam na vida cotidiana da população.
O professor da disciplina, Marlon Silva, comentou que a viagem possibilitou a realização de um dos principais objetivos da extensão universitária, que é "a interação transformadora entre Universidade e sociedade, particularmente nas trocas e aprendizados com a rica cultura, os saberes populares, as lutas e os modos de vida da Comunidade Quilombola de Santa Quitéria".