
Criado por Eduarda Belchior em sex, 29/05/2026 - 15:51 | Editado por Chico Daher há 3 horas.
Além de apoiar a ação institucionalmente, professores, técnicos e membros da gestão fizeram questão de almoçar no restaurante junto aos estudantes. Estiveram presentes a vice-reitora Roberta Fróes, o coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI), Clézio Gonçalves; o pró-reitor de Assuntos Comunitários e Estudantis, Héber Eustáquio de Paula; acompanhados de outros professores e servidores da universidade.
A escolha do prato, segundo os organizadores, não aconteceu por acaso. O professor Clézio Gonçalves explicou que houve um processo de pesquisa e consulta com estudantes e professores africanos da universidade antes da definição do cardápio. Ele explicou que isso não ocorreu "como mera pesquisa no Google" e que, para isso, foram ouvidos estudantes africanos da graduação e da pós-graduação, além de pessoas da universidade que já tiveram experiência no continente. O objetivo, segundo ele, era encontrar um prato que representasse essa cultura, mas que também pudesse ser adaptado à realidade de produção do restaurante universitário.
Clézio destacou ainda que a proposta carregava um significado simbólico importante. Para ele, celebrar o Dia da África por meio da comida foi também reconhecer as presenças africanas que compõem a comunidade universitária e a própria formação cultural brasileira. “É uma oportunidade para que toda a comunidade ufopiana possa fazer um resgate da memória, da ancestralidade e também deixar ecoar as Áfricas que se fazem presentes em cada um de nós que somos brasileiros”, disse.
PERTENCIMENTO - A vice-reitora da UFOP, Roberta Fróes, ressaltou que a universidade vem ampliando as ações relacionadas ao Dia da África. Em 2025, a celebração aconteceu por meio de apresentações culturais; neste ano, a programação foi expandida para uma semana inteira de atividades. Ela afirmou que o objetivo "é mostrar para os nossos alunos estrangeiros que eles pertencem também a esse lugar", destacando que "muitos estudantes brasileiros nunca tiveram contato direto com manifestações culturais africanas e que experiências como essa aproximam diferentes vivências dentro da universidade".
A organizadora da Semana da África, Lísia Zamba, avaliou a iniciativa do restaurante universitário como “inteligente, abrangente e inclusiva”. Segundo ela, a moamba de galinha representa não apenas Angola, mas diferentes tradições gastronômicas africanas, já que o prato possui variações em outros países do continente, como Moçambique e Guiné-Bissau. Lísia também defendeu que a experiência não se limitasse a uma ação pontual e sugeriu que outros pratos africanos passassem a integrar o cardápio do RU como forma de combater estereótipos sobre a África e ampliar o conhecimento da comunidade universitária sobre a diversidade cultural do continente.
O pró-reitor de Assuntos Comunitários e Estudantis (Prace), professor Héber Eustáquio de Paula, presente ao almoço, participou também da organização da ação. Ele afirmou que iniciativas como essa fazem parte das políticas de acolhimento e assistência estudantil da universidade, acrescentando que o RU se tornou um espaço importante para promover integração e cuidado com os estudantes, especialmente os intercambistas africanos.
BASTIDORES - Nos bastidores da cozinha, a experiência também foi novidade. As cozinheiras Denise Marques e Vera Lúcia contaram que nunca tinham preparado o prato antes. Mesmo diante do desafio de cozinhar para centenas de pessoas, o resultado surpreendeu a equipe. “Foi um sucesso para a gente”, disse Denise. Vera, por sua vez, contou que o preparo exigiu adaptação e aprendizado, mas afirmou que a experiência despertou curiosidade sobre outras comidas africanas. As duas disseram que topariam repetir pratos do continente no RU “quantas vezes fosse possível”.
Entre os estudantes, a recepção foi positiva. As alunas Isadora de Lima Reis, do curso de Química Industrial, e Thais Alexa, de Farmácia, elogiaram o sabor e a iniciativa. Isadora afirmou que o prato trouxe “uma variedade a mais no cardápio” e destacou que a experiência foi diferente do que normalmente é servido no restaurante.
As estudantes também chamaram atenção para o impacto simbólico da ação. Para Thais, oferecer uma comida típica africana pode representar acolhimento para estudantes que estão longe de casa há muito tempo. “Deve dar uma sensação muito especial, muito de aconchego”, comentou.
Além do sabor, o almoço acabou provocando conversas sobre cultura e pertencimento. Segundo as alunas, os comentários positivos circularam rapidamente entre grupos de estudantes, que passaram a recomendar o prato para colegas ao longo do dia.
A expectativa da organização é que a iniciativa não fique restrita a este ano. A gestão da universidade afirmou estar aberta à possibilidade de promover, futuramente, ações semelhantes envolvendo outras culturas presentes na comunidade acadêmica.



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