
Criado por Maria Eduarda de Lima em ter, 14/04/2026 - 08:50 | Editado por Lígia Souza há 2 dias.
Uma dissertação defendida no Programa de Pós-Graduação em Economia Aplicada (PPEA) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) analisa o forró como atividade produtiva e seu potencial para contribuir com o desenvolvimento local sustentável. O objetivo do estudo é investigar como a atividade pode ajudar a diversificar a economia de Ouro Preto, historicamente dependente da mineração, ao se consolidar também como atividade econômica, além de expressão cultural.
A pesquisa examina políticas públicas, a atuação do Estado e as condições de trabalho dos agentes culturais. O objetivo é entender por que, mesmo com forte presença na vida cultural da cidade, o setor ainda enfrenta dificuldades para se estruturar economicamente. Os resultados mostram que o forró esbarra em barreiras institucionais. Um dos pontos identificados é a ausência do tema em debates formais, como nas discussões do Conselho Municipal de Política Cultural, o que indica uma “invisibilidade política” do setor.
Um dos destaques do trabalho é o mapeamento dos agentes culturais do forró em Ouro Preto, que identifica grupos, músicos e coletivos atuantes, além de suas formas de inserção em políticas públicas e contratações. A análise mostra que há uma atuação contínua ao longo dos anos, mas ainda com dificuldades de acesso e oportunidades mais estruturadas.
O estudo também aponta dificuldades na transformação do valor cultural em renda. Segundo a análise, apresentações são frequentemente contratadas para fins turísticos, mas sem a criação de políticas públicas que fortaleçam o setor de forma contínua. Além disso, há limitações no acesso a leis de incentivo e desafios relacionados à formalização dos trabalhadores.
A partir dessa realidade, o autor da pesquisa, Helbert de Oliveira Almeida, explica que sua vivência no setor cultural foi um ponto de partida para o trabalho. Ele é gestor cultural e percebeu um incômodo que, como pesquisador, buscou entender melhor. “Acredito que boa parte do trabalho que fazemos na pesquisa é de tentar sanar nossos incômodos com a realidade e encontrar formas de achar respostas para eles e, se possível, melhorar a vida por meio da compreensão”, afirma.
Diante desse cenário, a dissertação propõe mudanças na atuação do poder público. Entre as recomendações estão a adoção de políticas de longo prazo, a criação de programas de capacitação para artistas e a realização de mapeamentos mais amplos dos agentes culturais. “O prioritário é fortalecer e desenvolver uma plataforma/ambiente estável que funcione com o poder público e outras entidades, sejam públicas e/ou privadas para suprir as necessidades dos trabalhadores da cultura local”, destaca Helbert.
PODCAST - A dissertação também foi tema do 39º episódio do podcast Stefanadas, intitulado “Forró: o ritmo que narra o Brasil”. O episódio discute o impacto do forró na sociedade a partir do diálogo entre economia e gestão cultural.
O podcast é do professor Stefano Florissi, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que convidou Helbert para falar da pesquisa. No episódio, eles abordam o forró como expressão cultural e também como atividade econômica, capaz de gerar renda e fortalecer comunidades.
Entre os temas discutidos estão o papel do forró na construção de identidade cultural, sua importância para a economia criativa e a necessidade de políticas públicas que garantam a valorização e a sustentabilidade dos trabalhadores do setor. A produção também está disponível no YouTube.



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