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Pesquisa realizada na pós em Economia Aplicada da UFOP traça perfil financeiro em Mariana

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A dissertação intitulada "Inclusão Financeira na perspectiva de gênero, renda e situação ocupacional" foi desenvolvida por meio de pesquisa de campo com coleta de dados em questionários aplicados a 413 responsáveis financeiramente pelos domicílios em Mariana. O estudo foi realizado pela aluna do Programa de Pós-Graduação em Economia Aplicada (PPEA) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Juliana de Deus. 
 
Considerando que a cidade de Mariana já ocupou uma das principais posições no ranking de renda per capita estadual, e que ganhou evidência nos últimos quinze anos pelo crescimento devido, principalmente, à mineração, o objetivo do trabalho foi analisar porque o município não consegue inserir financeiramente sua população nos serviços e produtos financeiros ofertados pelos bancos. A pesquisa foi realizada entre agosto e setembro de 2018, em 32 bairros de Mariana e envolveu uma equipe de 15 estudantes do curso de Ciências Econômicas.

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Arquivo pessoal
Parte da equipe no bairro Cabanas, Mariana
 
A análise dos dados mostrou que existem diferenças entre a probabilidade de inclusão de quem possui um grau de escolaridade mais alto em relação aos que não possuem escolaridade. No critério das faixas de idade, a probabilidade de inclusão de jovens (18 a 29 anos) é maior que a de idosos. Os indivíduos com rendas maiores e do sexo masculino são mais prováveis a se encaixarem nas categorias mais altas de inclusão.
 
DOMICÍLIOS CHEFIADOS POR MULHERES - Ainda de acordo com os dados, foi constatado que houve um aumento de mulheres como responsáveis financeiramente pelo domicílio, porém o acesso ao sistema financeiro continua restrito ao gênero masculino. 
 
Os resultados da pesquisa mostram também que as condições socioeconômicas são cruciais para a relação das famílias com o sistema financeiro e que as características econômicas e estruturais de Mariana determinam a oferta e a demanda dos serviços e produtos financeiros. 
 
ROMPIMENTO DA BARRAGEM - O trabalho considerou também o impacto do rompimento da Barragem de Fundão, em 2015, na economia de Mariana. A tragédia fez com que muitos indivíduos perdessem o emprego e as características dessa população desempregada se tornaram um entrave para o processo de inclusão dos chefes de família no sistema financeiro.
 
Durante a fase de campo foram levantados os principais problemas de infraestrutura de cada bairro, por meio de relatos dos moradores. Os dados foram levados ao conhecimento da comunidade do ICSA e serão encaminhados à Prefeitura de Mariana.  
 
Para a orientadora da pesquisa e professora da Pós-Graduação em Economia Aplicada da UFOP, Fernanda Faria, a Universidade tem papel de destaque na discussão econômica da cidade. “É muito importante que a Universidade seja um canal ativo entre o poder público e os munícipes, no sentido de fortalecer as suas demandas junto ao poder público local”, ressalta. 
 
O trabalho teve como coorientadora a pesquisadora da London School of Economics, Mara Nogueira, e foi defendido em julho, com o professor do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da UFMG, Marco Aurélio Crocco Afonso e a professora do PPEA, Mirian Martins Ribeiro.
 

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