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Protagonismo feminino na agricultura sustentável é tema de artigo publicado por pesquisadoras da UFOP

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Arquivo Pessoal
Duas mulheres trabalhando em uma horta ao ar livre. Uma delas está abaixada colhendo verduras, enquanto a outra utiliza uma enxada para preparar a terra. Ao fundo, há uma cerca de madeira, vegetação e um terreno levemente inclinado.
Fruto de pesquisas e ações de extensão desenvolvidas no âmbito da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o artigo "O papel das mulheres na transição para sistemas alimentares sustentáveis e na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas" foi publicado no Le Monde Diplomatique Brasil, reconhecido espaço internacional de divulgação científica e debate crítico. O texto discute como as mulheres são fundamentais na construção de sistemas alimentares sustentáveis e no enfrentamento das mudanças climáticas, visto que, apesar da persistente desigualdade de gênero no meio rural, elas lideram práticas agroecológicas, preservam saberes tradicionais e desempenham um papel-chave na segurança alimentar.
 
Assinado pela professora do Departamento de Ciências Sociais (Decso) Marisa Singulano, pela doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde e Nutrição (PPGSN) Amanda Leão Cardoso e pela professora do Departamento de Biodiversidade, Evolução e Meio Ambiente (Debio) e do Programa de Pós-Graduação em Ecologia de Biomas Tropicais (PPGEBT), Maria Cristina Teixeira Braga Messias, o texto parte de experiências vivenciadas pelo Núcleo de Pesquisa e Extensão em Desenvolvimento Econômico e Social (Nupedes) da UFOP com comunidades rurais da região.
 
SUSTENTABILIDADE - De acordo com Marisa, elas passaram a identificar padrões importantes, como, por exemplo, que as propriedades chefiadas por mulheres geralmente utilizam menos agrotóxicos e destinam a maior parte da produção para o autoconsumo, o que demonstra uma produção mais sustentável e que contribui para garantir a segurança alimentar e nutricional. A partir disso, foram realizadas pesquisas e buscas de dados nacionais que permitiram comparar e, consequentemente, generalizar algumas afirmações sobre o papel feminino nesse contexto.
 
Entre os números encontrados, destaca-se que apenas 18,7% dos estabelecimentos agropecuários do país são geridos por mulheres, segundo o Censo Agropecuário de 2017, ainda que elas representem cerca de 80% dos participantes do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Também chama a atenção o fato de que as mulheres camponesas são responsáveis por produzir entre 70% e 80% dos alimentos consumidos pelas populações mais pobres do mundo.
 
Além de evidenciar o protagonismo das mulheres na agricultura e no enfrentamento de desafios contemporâneos referentes à sustentabilidade, o artigo conecta essas práticas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), como igualdade de gênero, fome zero, saúde e ação climática. De acordo com as autoras, fortalecer as experiências locais é o caminho para transformar os sistemas alimentares e mitigar os efeitos da crise climática. Nesse sentido, Marisa destaca que a "Universidade teve um papel importante ao apoiar os estudos e as ações de extensão" desenvolvidos pelo grupo.
 
Acesse a publicação completa no Le Monde Diplomatique Brasil.
 

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