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Vírus: vilões em tempos de pandemia mas importantes para o planeta Terra, apontam pesquisas

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Arquivo Pessoal
A virologia, estudo dos vírus, é um assunto em alta em 2020 devido à pandemia da Covid-19, causada pelo novo coronavírus. Mas ao contrário do que se pensa, em sua maioria, os vírus possuem um papel benéfico na natureza. Menos de 10% dos vírus conhecidos fazem mal ao ser humano e outra parcela minoritária pode causar danos indiretos, afetando animais e plantas e prejudicando a produção de alimentos e a economia. Entretanto, a estimativa é que exista um nonilhão de vírus no planeta Terra. 

O professor do Departamento de Ciências Biológicas da UFOP Rodrigo Araújo Lima Rodrigues, mestre e doutor em microbiologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pesquisa desde 2014 um grupo conhecido como vírus gigantes, que apresenta tamanho muito maior que a média dos vírus, possui genoma muito extenso e genes que não são encontrados em outros vírus. 

GIGANTES DO BEM PARA O HOMEM - São vírus cujos hospedeiros são amebas e algas, organismos unicelulares muito antigos e abundantes no nosso planeta. "Hoje já sabemos que existe uma quantidade enorme de vírus gigantes espalhados por todo o planeta. Inclusive aqui no Brasil já descobrimos dezenas (talvez centenas) deles", conta o pesquisador. Segundo ele, esses vírus não causam problemas para os seres humanos, mas exercem um impacto profundo no controle de população de seus hospedeiros e na ciclagem de nutrientes da natureza. 

Segundo o pesquisador, ao infectar e destruir algas e amebas, os vírus gigantes impedem que ocorra um aumento desenfreado destes organismos, impedindo assim um acúmulo deles e de suas toxinas no ambiente. Além disso, ao eliminarem esses organismos, contribuem para a liberação de compostos orgânicos essenciais utilizados por outros seres vivos, o que os torna fundamentais para a manutenção do ciclo da vida no planeta.

"O primeiro vírus gigante foi descoberto em 2003, por pesquisadores franceses: o chamado mimivírus, um vírus de amebas de vida livre. Desde então, diversos novos vírus gigantes vêm sendo descobertos", explica Rodrigo, que desenvolveu recentemente dois trabalhos junto ao grupo do professor Jônatas Abrahão (UFMG) sobre um novo mimivírus no Brasil. 
 

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Arquivo Pessoal
Mimivírus
 
Os trabalhos Isolation and genomic characterization of a new mimivirus of lineage B from a Brazilian river (em português: “Isolamento e caracterização genômica de um novo mimivírus da linhagem B de um rio brasileiro”) e Translating the language of giants: translation-related genes as a major contribution of giant viruses to the virosphere" (em português: "Traduzindo a linguagem dos gigantes: genes relacionados à tradução como uma importante contribuição dos vírus gigantes para a virosfera") definiram a caracterização inicial de seu genoma e a verificação dos novos genes, analisando genes específicos desses vírus que fazem parte da maquinaria de produção de proteínas (algo incomum para os vírus, mas que os gigantes possuem), embasando a discussão de onde surgiram e qual o papel desses vírus na natureza.
 

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