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Dados que transformam: o IBGE como "fotografia mais detalhada do país"

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Dia 6 de julho é celebrada a criação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), fundado em 1934 e instituído em 1936. O órgão estatal foi criado por incentivo do estatístico Mário Augusto Teixeira de Freitas, pela lei nº 24.609, de 1934
 
Um dos principais marcos do IBGE foi a pesquisa do Censo Demográfico Brasileiro, o "Recenseamento", que consiste em visitas residenciais para levantar dados estatísticos da população brasileira. A pesquisa é realizada a cada dez anos. Embora a metodologia de pesquisa de campo seja realizada desde o século 19, foi a partir da criação do IBGE que a aplicação e o desenvolvimento dessa metodologia passaram a ser feitos de forma mais eficaz e estruturada. 
 
O "Em Discussão" desta semana traz o doutor em Estatística Ricardo Tavares, professor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), para discutir o elemento base de trabalho do IBGE, os dados, para discutir a importância desse recurso de forma geral na sociedade. Por sua especialidade no tratamento dos dados, ele também é membro do Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus da UFOP. "O censo demográfico do IBGE é a fotografia mais detalhada do país", afirma Ricardo. O professor utiliza essa analogia para afirmar que é por meio dos dados, e entendendo a importância deles, que se conhece as demandas de um território ou sociedade. Para ele, esses dados são capazes de identificar as características dos brasileiros, produzindo informações fundamentais, sendo utilizados como elemento legitimador em decisões que incluem investimentos em ações do governo e o aprimoramento de políticas públicas. 
 
Professor, a população tem ciência dessa geração de dados e de como eles são utilizados em suas próprias vidas?
 
Aos poucos as pessoas físicas e jurídicas têm se alertado mais para a produção de dados e para a qualidade deles, para a utilização da melhor forma possível. Nos últimos anos, muitas decisões têm sido tomadas a partir de dados, sejam de poluição e/ou desmatamento, de riquezas, de desigualdades sociais, indicadores de saúde, avaliações educacionais, de criminalidade, entre muitas outras que afetam direta e indiretamente o direcionamento de recursos do contribuinte, e consequentemente, suas vidas em nível individual e coletivo. Embora muitos ainda não estejam alfabetizados em dados, todos nós somos forçados a julgar quais números podem ser confiáveis e quais não. É necessário, portanto, muita responsabilidade.
 
Como você avalia a gestão de dados pela iniciativa privada no Brasil?
 
As autoridades públicas precisam regular o mercado de dados e informações e fortalecer os direitos dos cidadãos. Um passo promissor foi a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. A coleta de dados das pessoas e sua venda para anunciantes que combinam esses dados com outras fontes para nos direcionar com anúncios feitos sob medida não deveria ser possível. Os atores públicos precisam regulamentar a gestão de dados frente à utilização pela iniciativa privada. 
 
E pelo governo, como você avalia? Qual a importância da integração dos dados nos três níveis da gestão pública (municipal, estadual e federal)?
 
Os dados produzidos pelo governo são fundamentais e, por isso, deveriam ser de fácil acesso, bem como padronizados entre os diversos ministérios, tendo como referência o Datasus do Ministério da Saúde, por exemplo. A integração dos dados, julgo como obrigatória para agilizar e unificar o que é divulgado à sociedade. Muitas vezes temos informações conflitantes entre o que é divulgado individualmente por cada uma dessas esferas administrativas. As várias partes interessadas como ciência, sociedade civil e gestores políticos precisam discutir mais as questões que afetam o país e sua gente.
 
Qual a sua opinião sobre a não realização do Censo. Como isso pode impactar a construção dessas políticas?
 
O Censo é tão importante para o Brasil e os brasileiros que a sua não realização só pode partir de agendas governamentais que não priorizem a formulação de políticas públicas. Quando o Censo não é realizado, perdemos por não atualizar as caracterizações que se alteraram no tempo e que continuarão desconhecidas. Por exemplo, a distribuição de vacinas e os recursos de cada cidade podem ser fortemente afetados pela não realização do Censo. O Censo é a única fonte de referência sobre a situação de vida da população nos municípios e em suas subdivisões, como distritos, bairros e localidades rurais ou urbanas, cujas realidades dependem de seus resultados para serem conhecidas e atualizadas. O IBGE precisa ser livre de influência política e ter orçamentos garantidos em lei para que possa realizar com qualidade e segurança suas atividades, e assim não gerar desconfiança dos cidadãos para com suas revelações estatísticas. 
 
Como você avalia a gestão dos dados para o controle da pandemia e para o retorno das atividades regulares?
 
Avalio positivamente o esforço para melhorar a qualidade dos dados da pandemia e da vacinação. Embora existam algumas diferenças e atrasos entre os dados divulgados por cada um dos três níveis de governo, o que gera instabilidade nos indicadores da pandemia, essas informações foram e são úteis para as pessoas se protegerem individual e coletivamente. Lamento que essas informações não tenham servido de norte para o governo liderar um enfrentamento uniforme em todo o Brasil. Sobre o retorno das atividades regulares, é preciso muita cautela para não sermos surpreendidos com uma nova onda. Acredito que tem setores que foram mais afetados e certamente terão prioridade no retorno. Em seguida, de forma gradativa, os demais também retornarão às atividades presenciais. Não creio num retorno presencial total em uma data preestabelecida.
 
EM DISCUSSÃO - Esta seção é ocupada por uma entrevista, no formato pingue-pongue, realizada com um integrante da comunidade ufopiana. O espaço tem a função de divulgar as temáticas em pauta no universo acadêmico e trazer o ponto de vista de especialistas sobre assuntos relevantes para a sociedade. 
 
Confira todas as entrevistas já publicadas. 

 

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