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Calourada Preta promove valorização da identidade negra

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Pedro Menegheti
Com o tema “Griot: ancestralidade e oralidade”, a VI Calourada Preta tem como objetivo levantar debates acerca das relações étnico-raciais e cobrar posturas frente às políticas de acesso e permanência dos negros na Instituição, além de recepcionar os novos estudantes pretos e pardos em um ambiente historicamente negado a eles.

Os Griot são contadores de história africanos que, por meio da oralidade, passam as tradições e memórias da comunidade onde vivem para as gerações mais novas. Nesta edição, essa tradição será saudada e sua importância será destacada por meio de um paralelo traçado com a modernidade. 

Organizado pelo coletivo Braima Mané, o evento, que vai até a próxima sexta (7), traz diversas ações que destacam as atividades dos Griot contemporâneos — aqueles que, no dia a dia, também transmitem a história e a tradição das negras e negros nas artes, na religião, no fazer científico e até mesmo nas plataformas digitais. 

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André Nascimento e João Luiz
Cortejo realizado pela Guarda de Congo Nossa Senhora do Rosário e São Sebastião
 
Na ocasião da abertura, a Guarda de Congo Nossa Senhora do Rosário e São Sebastião realizou um cortejo pelas ruas de Mariana. O grupo, que existe desde 2011, é mantido com poucos recursos e trabalha para manter viva a tradição do Congado — manifestação cultural e religiosa afro-brasileira que exalta entidades ligadas à proteção de negros e negras, através de procissões que envolvem cantos, música e dança.

Logo após, na mesa "Griots: guardiões da memória coletiva", foi discutido o valor da transmissão dos conhecimentos e tradições africanas, além da importância da oralidade nessa cultura, muitas vezes desconhecida pela comunidade acadêmica. A mesa contou com a presença de Makota Celinha, coordenadora do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (CENARAB), e de Efigênia Carabina, personalidade ouro-pretana ligada às causas étnicas e fundadora do Movimento Negro Restaurador Jair Afonso Inácio. 

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André Nascimento e João Luiz
Durante a mesa, Makota Celinha e Efigênia Carabina tratam da importância da oralidade para a cultura africana
 
Na última terça (4), durante a palestra "Nossos passos vêm de longe: trajetórias de vida, identidade e resistência das mulheres negras no Brasil", ministrada por Sheila Dias e mediada por Jussara Lopes, ambas professoras do curso de Serviço Social, os participantes puderam externar as sensações provocadas pela exibição de imagens de presídios, navios negreiros e favelas.

Ainda durante a conversa, foi destacada a importância das heranças culturais negras, que persistiram em meio às tentativas de silenciamento e extinção. Jussara e Sheila levantaram também a questão da intolerância e da necessidade de entender outros pensamentos, discutindo-os socialmente sem incitar um discurso de ódio. Temas como orgulho negro, racismo, homofobia e ressignificação também foram levantados.
 

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Pedro Menegheti
Estudantes e docentes de Serviço Social durante palestra sobre resistência da mulher negra
 
Até a próxima sexta serão realizadas oficinas, práticas de ioga, intervenções artísticas, mesas de conversa, um sarau e um cortejo. A programação é gratuita e aberta a todos os públicos.

COLETIVO BRAIMA MANÉ - Originado em 2015, o grupo foi criado com o intuito de organizar e viabilizar a realização da Calourada Preta, evento institucional produzido por estudantes de diversos cursos da UFOP. Seu nome é uma homenagem ao estudante de Guiné-Bissau, Braima Mané. Além da Calourada, o coletivo realiza atividades no presídio de Mariana, na Unidade de Acolhimento Infanto-juvenil (Uai) e em escolas da região.

Para acessar a programação completa, clique aqui

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