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Nova espécie de libélula é descoberta por aluno da UFOP na Cachoeira das Andorinhas

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Divulgação
Com: 
Júlia Lopes - estagiária

Boa notícia para a ciência. Tristeza para os pesquisadores, pois a nova espécie estava entre as milhares destruídas no incêndio do Museu Nacional do Rio Janeiro, ocorrido na noite de domingo, 2 de setembro. 

O Parque Natural Municipal Cachoeira das Andorinhas em Ouro Preto — local de uma das nascentes do Rio das Velhas, maior afluente do Rio São Francisco —, é conhecido por sua rica biodiversidade e ecossistema. Em 2015, o monitor do Parque Estadual do Itacolomi e aluno da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Walter Francisco de Ávila Júnior, realizou uma pesquisa de campo na Cachoeira das Andorinhas e identificou 42 espécies de libélulas. Entre elas, coletou uma nova espécie do gênero Heteragrion.  

Walter é graduando em Ciências Biológicas e realizou seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) com o título "Diversidade e composição de (Odonata: Libélula) no alto Rio das Velhas - Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil". A pesquisa foi iniciada no distrito de Catarina Mendes e, a partir de lá, o estudante subiu o rio até chegar à Área de Proteção Ambiental (APA) Cachoeira das Andorinhas. Foram 27 saídas a campo com a intenção de catalogar o máximo de espécies de libélulas. Por ser uma área de nascentes de um dos principais rios do estado, o interesse era saber quais espécies de libélulas habitam os locais, uma vez que elas podem fornecer respostas sobre a qualidade ambiental do local, por serem consideradas bioindicadores. No trabalho de campo, foram organizados também planejamentos de ocupação, utilização e administração do parque. 

O interesse de Walter pela entomologia surgiu na realização do TCC do seu bacharelado em Ecologia. "Eu não sabia identificar as espécies. Dessa forma, entrei em contato com o professor da UFMG, Ângelo Machadoque prontamente me atendeu e me ensinou mais sobre libélulas. Desde as visitas ao laboratório na casa dele, e não parei mais de estudá-las", vibra. O biólogo pretende se especializar nesse ramo da biologia, expandir as coletas para verificar a distribuição geográfica da nova espécie e realizar o levantamento de outras em áreas ainda não estudadas.

heteragrion_cauei.jpg

Acervo do pesquisador
A nova espécie Heteragrion cauei

Homenagem ao filho - A descoberta da nova espécie só aconteceu depois que Walter levou o espécime para o laboratório e começou a distingui-lo; nesse processo, houve um momento em que o pesquisador não conseguia encontrar nenhuma espécie já reconhecida que tivesse as mesmas características morfológicas. Durante o processo de análise, ele entrou em contato com outro pesquisador, Frederico Lencioni, um dos maiores especialistas do gênero Heteragrion no Brasil, e, depois de lhe enviar um exemplar, verificaram se tratar de uma nova espécie. O estudante fez uma homenagem ao filho Cauê e nomeou a nova espécie de Heteragrion cauei

A confirmação da descoberta para a comunidade científica internacional veio após a publicação do artigo que descrevia o inseto na revista alemã Odonatologica, especializada em libélulas. A publicação, de dezembro de 2017, foi assinada por Walter, por seu orientador, o professor Marco Antônio Alves Carneiro, e pelo pesquisador Frederico Augusto de Atayde Lencioni. Para o estudante, o apoio do orientador foi fundamental e possibilitou a descoberta, pois todo o suporte de laboratório, a logística e até mesmo parte do financiamento para a pesquisa partiram dele. Além disso, Walter ressalta que, desde a divulgação, é evidente que houve uma maior atenção na área de coleta. Depois da publicação, descobriram que essa espécie também pode ser encontrada em Itatiaia, pequeno distrito da cidade de Ouro Branco. Na realização dos trabalhos, o estudante reconhece como de fundamental importância o apoio da equipe do Parque Natural Municipal Cachoeira das Andorinhas dentro da unidade de conservação, bem como do pessoal da APA Cachoeira das Andorinhas gerenciada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF). 

A importância da pesquisa para a UFOP e região - A região de Ouro Preto possui áreas sob forte impacto ambiental. Além das queimadas, ao longo do leito do Rio das Velhas, os pesquisadores verificam pontos que têm sofrido com a retirada de matas ciliares, com as trilhas de motocross feitas no meio da mata e com problemas de assoreamento e erosão. A Heteragrion cauei foi encontrada nos trechos mais bem preservados das matas ciliares do rio. Desse modo, vale destacar a importância das libélulas, que contribuem para a preservação da biodiversidade da unidade de conservação. 

Ainda que os recentes cortes de recursos tenham gerado uma redução drástica no orçamento destinado à pesquisa e à educação de maneira geral, as pesquisas da UFOP nessa área têm sido impulsionadas em função do vasto campo de investigação e atuação de pesquisadores na Cachoeira das Andorinhas. A metodologia utilizada proporciona aos alunos o despertar para o conhecimento e, mais efetivamente, para uma área específica. "A pesquisa de campo no Parque Natural Municipal Cachoeira das Andorinhas tem grande significado para o curso de Ciências Biológicas e para a UFOP, pois mostra que há um esforço em possibilitar que os alunos da graduação tenham essa vivência na iniciação científica, inclusive, por exemplo, obtendo o êxito de publicar um artigo científico em uma revista conceituada", explica o professor e orientador Marco Antônio. 

Incêndio e destruição - Marco Antônio explica que, quando se faz a descrição de uma espécie, é preciso depositar um espécime (ou exemplar único) em coleções científicas — o qual chamamos de holótipo. Isso serve para descrição original da nova espécie. Segundo ele, o holótipo encontrado na Cachoeira das Andorinhas estava lá no Museu Nacional do Rio de Janeiro e foi destruído pelo incêndio de domingo. "Triste coincidência. Nesta semana que fizemos a entrevista [para o site da UFOP] sobre a espécie nova de libélula, Heteragrion cauei, o Museu Nacional foi destruído por um incêndio. A nova espécie de libélula estava entre os cerca de 5 milhões de exemplares de insetos destruídos pelo fogo, que nos jogou a 10 mil anos de atraso".

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