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Reitoria da UFOP reafirma posicionamento contra atos discriminatórios

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A Reitoria da Universidade Federal de Ouro Preto reafirma seu posicionamento contra qualquer ação que se configure como de cunho racista ou que esteja alinhada com outras formas de discriminação, como a misoginia, a homofobia e a transfobia. Entendemos que a reprodução de estereótipos que reforçam a opressão está na contramão do que propõe uma instituição de ensino superior comprometida com o desenvolvimento social, com o respeito às diversidades e com a garantia dos direitos à cidadania plena.
 
Sobre a caracterização de estudantes no último fim de semana, que foi apontada como um ato racista, a Ouvidoria da UFOP confirmou que recebeu as denúncias, as quais serão formalizadas diretamente no sistema e encaminhadas aos setores responsáveis. O fluxo interno para o trâmite e tratamento de denúncias no âmbito da UFOP é regulamentado pela Portaria Reitoria nº 123/22, página 02 do Boletim Administrativo nº 10, ano 32. Selecionados os elementos comprobatórios, essas denúncias serão encaminhadas à Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis (Prace) para instauração de sindicância, apuração e posterior decisão. 
 
Diante disso, pedimos a toda a comunidade acadêmica a busca do diálogo e respeito aos trâmites legais, que devem ser seguidos. O linchamento virtual de pessoas ou moradias pode provocar prejuízos difíceis de serem dissolvidos.
 
Reforçamos nosso posicionamento de que, da forma apropriada, a administração da UFOP não será complacente com atos discriminatórios, mesmo entendendo que essa triste atuação seja resultado do racismo estrutural (re)produzido histórica e culturalmente no Brasil. 
 
Contra isso, sempre apoiamos as políticas de ações afirmativas como tentativa de minimizar os impactos de uma sociedade que julga uma pessoa pelos seus traços físicos, pelo seu poder econômico e pelo lugar onde mora, entre outras questões. A UFOP foi a segunda universidade federal de Minas Gerais a adotar uma ação afirmativa, conta com o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas e com o Coletivo Negro, que congrega pesquisadoras e pesquisadores reconhecidos nacional e internacionalmente. Essa política mostrou-se profícua ao aumentar a inserção de pessoas pretas e pardas nos bancos da Universidade e, acima de tudo, comprovou que a oportunidade de acesso é capaz de dirimir, em pouco tempo, possíveis deficiências na educação básica. O que verificamos é que, na média, em poucos semestres o desenvolvimento de estudantes cotistas se iguala ao dos demais.
 
A cor da pele, a cultura, as formas de vestir e outras características dos grupos sociais que compõem nossa sociedade não são fantasias e, muito menos, motivos para exposições públicas com o objetivo de torná-las risíveis. As nossas diferenças se complementam e nos possibilitam uma perspectiva mais ampla diante dos desafios que são apresentados regularmente. 
 
Para além de tudo isso, não podemos ignorar que estamos diante de um grande desafio, que é o de nos educarmos permanentemente para as relações étnico-raciais e em direitos humanos. Na engrenagem do racismo estrutural, nem mesmo uma instituição de educação como a UFOP está vacinada contra suas armadilhas. Devemos, pois, continuar investindo na educação para a diversidade e o enfrentamento de qualquer tipo de opressão.
 
Cláudia Marliére – Reitora
Hermínio Nalini Júnior – Vice-Reitor

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